Como aprender a programar? - LabeCast #02

Quais os primeiros passos para aprender a programar? Como e por onde começar? Letícia Chijo, Pedro Darvas e Fê Alfonsi vão responder às perguntar mais básicas para quem quer começar na programação. Nessa conversa, os três trocam ideias sobre suas experiências pessoais e profissionais no mundo de desenvolvimento web. O time da Labenu traça um roadmap para mostrar qual o melhor caminho do aprendizado e traz dicas de estudos para se manter sempre atualizado. Afinal, programação é para todas as pessoas?

Fê Alfonsi:

Oi. Tudo bom? Eu sou a Fê Alfonsi, instrutora da Labenu.

Pedro Darvas:

E, aí? Eu sou Pedro Darvas. Sou líder de tecnologia da Labenu.

Letícia Chijo:

E eu sou a Letícia Chijo. Esse é mais um episódio do LabeCast, o podcast oficial da Labenu.

[INTRO]

Chijo:

Hoje a gente está aqui com convidados. O Lu está de folga do LabeCast. Então, eu vim junto com Pedro Darvas e Fê Alfonsi. Vou pedir para vocês se apresentarem. Vamos começar com o Darvas, que você faz, Darvas?

Darvas:

Eu sou líder de tecnologia aqui da Labenu. Já fui instrutor aqui, estou desde o comecinho, sou do time fundador aqui e, desde o ano passado, estou tocando o time de tech. Eu sou formado em engenharia de computação pela Poli-USP.

Chijo:

E você, Fê, conta um pouquinho.

Fê:

Bom, sou instrutora aqui da Labenu, já fui monitora, comecei minha carreira na Labenu como monitora, hoje sou instrutora. Antes eu fui estudante. Eu sou formada em Letras, não tem nada a ver a minha formação inicial com tecnologia.

Chijo:

Então o tema hoje que a gente veio conversar sobre como aprender a programar. Então, no episódio passado, a gente falou um pouco de ficar rica, sendo programadora. Talvez sim, talvez não. Mas, independente de sim ou não, a gente precisa começar de algum lugar. E acho que vou até pegar um pouco o gancho da Fê que ela comentou que ela foi aluna da Labenu, e fez essa transição de carreira. E muita gente que procura gente fez uma transição de carreira também. Eu queria saber como que foi para você esse momento inicial.

Fê:

Então, durante a pandemia, como muitas pessoas ficaram, fiquei desempregada. Eu estava dando aula particular de espanhol, que é minha formação, e os alunos acho que estavam ainda nessa transição de da aula presencial para a aula online e ninguém sabia direito como fazer.

Nem eles, nem eu. E aí eu fui perdendo os alunos e nesse momento eu pensei que, pô deixa eu fazer um curso aqui de programação, porque eu acho que agora é irreversível. A partir dessa pandemia tudo vai ser online. Deixa eu ver como eu posso colaborar com educação, sei lá, de repente, de maneira on line mesmo.

Ai eu fiz um cursinho gratuito básico de Python de nove semanas. Nunca terminei. Falta o último trabalho pra terminar ainda. E cara, quando eu comecei a fazer eu me apaixonei, me apaixonei.

Aí eu, conversando com os amigos e a minha amiga, falou: "Ah, o namorado de uma amiga tem um colégio de programação, dá uma olhada, Labenu". Eu falei: "É mesmo?". Aí eu fui procurar. Eu gostei, vi a grade, achei que era mentira. Eu falei: "o que? eu vou pagar depois?", "Eu acho que é golpe".

E aí conversei com a minha sogra: "isso aí tá cheirando mal". Aí conversei com o pessoal aqui, e comecei a fazer o curso. E cara, só amor.

Depois que eu comecei e fiz, só amor, quando eu cheguei no final do curso, eu falei: "ah, é isso, é isso aí que eu quero. Quero trabalhar com isso." E o mais legal de tudo. Eu nem sei se você vai fazer essa pergunta, mas é que me chamaram para trabalhar na Labenu. Então eu mudei de carreira. Sem mudar de carreira! Foi incrível.

Chijo:

Perguntando um pouco para o Darvas, também, então, como que você começou a programar?

Darvas:

Minha história é um pouco diferente. Eu sou programador aí de carreira. Eu comecei na escola, no ensino médio, tinha uma aulinha de robótica como oportunidade super da hora de ter.

E eu achei muito legal que escrever um código no computador e ai o robozinho andava para frente e para trás. Tinham sensores e tudo mais. Mas aí acabei entrando na faculdade de engenharia elétrica porque eu achava ainda mais legal os fios e tudo mais. E aí entrei na Poli-USP, Engenharia elétrica.

E aí, logo de cara, eu vi que engenharia elétrica… Você sabe...

Chijo:

Não é muito legal.

Darvas:

Tinha muita matemática, eu gosto de matemática, gosto de exatas, mas nunca foi minha praia. Mas é um curso bem irmão de engenharia de computação.

Então a gente começou a ter algumas matérias de computação desde o primeiro ano e eu gostei muito de programar e aí eu pedi transferência. Demorei bastante tempo para conseguir a transferência mas consegui e aí eu consegui mudar para o curso.

Mas eu aprendi na prática a parte mais teórica de lógica na faculdade mas eu não conseguia construir nada. Sabe quando?

Quando eu comecei a programar assim, eu sabia responder os exercícios de código que eu tinha e só quando comecei a trabalhar eu consegui um estágio e eu comecei a programar com React e Node, bem o stack do nosso curso.

E foi aí que eu comecei a estudar e me desenvolver e ir atrás e me aprofundar. E eu comecei de fato a construir coisas. Então, lá na Poli-USP, eu sinto que eu sabia escrever, escrever o algoritmo, sabe?

Mas eu acho que programar hoje eu vejo que vai muito além de você responder uma questão ou de escrever o algoritmo. É muito mais sobre como construir coisas. Eu acho que eu realmente aprendi isso quando eu pude botar isso em prática no mundo real, construindo coisas para clientes reais. 

Chijo:

No último, a gente comentou que acha que a gente tem essa ideia de que você vai estudar e aí você vai saber tudo. E tipo não, você vai aprender muito, muito, muito mais trabalhando. 

Darvas:

Inclusive eu lembro que eu cheguei no trabalho e aí eu perguntei o que eu preciso saber pra fazer a minha primeira tarefa. E aí falaram um monte de coisa.

Eu nunca tinha ouvido falar de nenhuma delas, e eu falei: "meu Deus, por que eu fiz essa faculdade de engenharia de computação?".

E, claro. Hoje eu vejo muito valor. Eu acho que a gente aprende vários conceitos mais aprofundados e tudo mais. Dá uma base boa.

Mas na prática mesmo, ninguém me ensinou JavaScript, ninguém me ensinou React, ninguém me ensinou Node, banco de dados muito superficial. Então, assim, na prática, não teve nada, sabe?

O que eu aprendi e que eu usei no mercado de verdade e foi no mercado, trabalhando e principalmente estudando sozinho, indo atrás, YouTube, livros e depois dando aula, aqui na Labenu a gente tem que parar para estudar muito. É aí que eu acho que eu realmente aprendi as bases, mas muito mais na prática.

Chijo: 

No meu caso, eu aprendi a programar um pouco antes de entrar na faculdade. Eu fiz a mesma faculdade, que o Darvas também, de engenharia elétrica e tudo mais e eu fiz técnico, porque meus pais falaram que a gente não vai ter dinheiro para você fazer uma escola particular no ensino médio. Então a escola técnica é da hora, vai lá, vai ser ótimo.

E eu nem sabia que curso que eu queria fazer. E eu fiz na época, numa escola meio pequena, meio desconhecida, que tinha cinco cursos para escolher acho que era tipo secretariado, edificações, eletrônica, informática, e alguma outra coisa, eu falei: "ah, mano, desses aí, vou fazer informática, parece mais útil."

E foi assim que eu entrei no mundo da tecnologia, praticamente um sorteio. E aí eu comecei a gostar muito depois que eu entrei no curso, e tipo, "nossa, dá para fazer um monte de coisa legal e tal." Era um curso bem prático.

Ele era bem interessante. E aí é a tecnologia do momento. Antigamente até hoje ainda usada. Mas a gente aprendeu VB.NET e Java e foi isso que eu aprendi no técnico. E eu nunca mais usei na minha vida inteira.

Mas assim foi legal. Para começar a aprender o básico. E aí eu fui nessa. Gostei, quero aprender mais para onde eu vou. Engenharia parece bom, né? A armadilha ali... e engenharia é bom, tá minha gente?.

Não tô falando que não é bom, mas não é o que eu estava pensando que seria. Eu queria ir para programar e aí eu cheguei lá e eu fiz cinco cálculos, cinco física várias coisas antes de eu chegar, em algum momento que eu via um computador.

E aí, quando você via o computador ainda, você tinha que pensar em como ele funcionava e tipo você não estava muito para programar Então é um conhecimento legal, mas não é o conhecimento. Às vezes que a gente quer ter para começar a programar de fato ali, né?

E aí, puxando esse gancho também, o que vocês acham que é legal para começar assim, para quem quer. Vou começar agora, o que pesquiso primeiro, o que eu faço primeiro.

Darvas:

Eu acho que tem muitas formas de começar. Eu acho que a gente fala mal da faculdade tal. Mas putz, foi. Foi um jeito excelente, porque você faz as coisas com mais calma.

Mas foi uma oportunidade que eu tive de ter o tempo para estudar. E eu acho que muita gente, a maioria das pessoas, não tem o tempo mesmo. Você gastar cinco, cinco anos, se dar tudo certo, no meu caso, sete anos e meio pra você, pra você aprender ali e eu não acho que de longe é a forma mais eficiente.

Eu vejo hoje cursos como o nosso, não só o nosso. Eu acho que é claro o que a gente vai fazer uma propaganda da Labenu, mas tem vários cursos excelentes por aí, que eu acho que dão apoio muito legal para você começar.

Eu acho que o mais importante pra aprender a programar, na minha opinião, é praticar qualquer coisa que você estiver praticando. Mas quando você tem um direcionamento alguém pegando na sua mão e olha a prática, isso aqui facilita demais você ter uma direção, porque senão você, se você pesquisar no Google como aprender a programação, vai encontrar 1 milhão de pessoas falando 1 milhão de coisas diferentes.

Todas elas são válidas ou a maioria são válidas. Mas você tem que escolher uma e você tem que seguir, então um curso como o nosso, ele pega muito na mão e fala: "Olha, segue esse caminho. Faz isso aqui que se você fizer isso aqui em seis meses, ou um ano", para algumas pessoas, mais tempo e faz parte, mas você vai conseguir.

Mas o importante não é o curso em si, é a prática e você está lá treinando. Você tá lá quebrando a cabeça ou se desafiando. E não é fácil. E eu acho que outra coisa muito importante é não desanimar porque você vai olhar para o código, você vai falar isso aqui não faz o menor sentido.

E acho que talvez por isso que uma faculdade ajuda também, que você tem cinco anos, então você não vai parar. Você não vai ficar dois meses ali, fala: "nossa, não entendi nada disso", e desistir, tem mais cinco anos pela frente.

Você se força a ir mais. E aí eu acho que ajuda a ter esse esse momento, onde você começa a ter uma base boa o suficiente para caminhar sozinho, mas eu queria ouvir da Fê aí. Como é que foi do lado dela a experiência? Porque eu falei que o nosso é bom. 

Fê:

Eu acho que a primeira coisa para aprender, programar é querer muito, sabe, tipo a vontade de se jogar numa experiência nova. Essa foi a minha motivação eu pensei que eu já falei durante a pandemia, e tal.

Aí e eu acho que a segunda coisa é buscar. Inicialmente tem várias vídeos na internet, sabe? Pra mim foi muito esse percurso, sabe? Fui buscar na internet um minicurso, alguma coisa para saber se eu ia curtir mesmo, se era isso que eu queria mesmo. Era e estou aqui e eu curti pra caramba.

Então acho que é vontade e buscar ver se essa é a sua praia mesmo, sabe? Eu vi um caminho, claro. Assim eu comecei a ver a evolução clara e do porquê eu estava fazendo aquilo, porque no outro curso, eu falava: "legal, mas como é que eu aplico isso no mundo real?".

Eu não entendia bem como eu ia aplicar aqueles códigos no mundo real, sabe? E aí aqui no curso, eu consegui ver justamente isso, que era o que me faltava. Esse aí foi o meu percurso. Então, primeiro vontade. Segundo, é correr atrás e persistir.

Chijo:

Ouvindo a fala de vocês dois. Eu acho que o que tem em comum e que é o mais importante na minha opinião é estrutura.

Tipo, o curso, seja uma faculdade, seja um curso on line, seja um curso síncrono, tem uma estrutura, alguém pensou aquilo e você todo dia tem uma atividade para fazer, tem uma entrega, você tem uma responsabilidade para cumprir ali, porque quando a gente compra um curso online ali, e deixa... gente, eu tenho um monte de curso que eu comprei.

Eu nunca fiz, fiz três aulas e falei: "nossa, que legal", eu nunca voltei. Acho que todo mundo já fez isso. Tem uns baratinhos lá. Legal, vou comprar um Black Friday. Mas você tem que ter uma estrutura. Então, se você é uma pessoa que você sabe que não, eu sou disciplinado.

Eu consigo me organizar. Vou fazer aqui sozinho. Tem vários de roadmaps na internet que você pode seguir, que te dão umas dicas de começa por aqui, depois vai para cá, depois para cá.

Tem livros que tem uma sequência lógica das coisas, então isso te ajuda. Mas você tem que ter uma disciplina para isso. E eu diria que a maioria das pessoas não tem. Eu, inclusive, sem nenhum julgamento, porque é difícil você se manter motivado a fazer uma coisa que é difícil.

E você vai lá e faz, dá errado e faz dá errado. Um hora você acaba falando sei lá, vou dar uma pausa e aí cada dia você pega menos e tudo mais. Então, eu acho que primeiro é ter uma estrutura e um curso pode te ajudar com isso. Seja uma faculdade seja ali o que for.

E a segunda coisa que eu vejo que é um problema, de novo para mim, inclusive quando eu vou começar qualquer coisa, é a gente ficar querendo ser um pouco perfeccionista demais. Então vou começar com uma linguagem.  Mas qual é a melhor linguagem de programação do universo?

Tipo, gente, não tem. Óbvio que tem algumas mais fáceis para começar, mais difíceis pra começar e tudo mais. Mas é uma questão de começar. Você escolhe um negócio e começa a fazer aquilo e vai seguindo essa ideia. Então, muita gente que eu conheço começou com algum jogo, gosta de fazer joguinho, pesquisou no YouTube, como fazer um joguinho.

E foi lá e fez um PacMan, sei lá. Então, começar de alguma forma, sabe? Não precisa ser perfeito. Não precisa ser a estrutura perfeita. Óbvio que se você faz um curso, que você faz uma mentoria com alguém que já passou por isso, a pessoa sabe um pouquinho ali o que é melhor, o que é pior. Mas eu acho que isso é um detalhe assim. Se você não começar, não avança.

Darvas:

Uma coisa que que me veio muito com você, trazendo esse ponto. Eu acho que para mim, algo que me ajudou muito a crescer, não vou falar que começar, mas foi construir coisas que me interessavam.

Então, putz, quando eu entendi o mínimo ali da base da programação e que eu conseguia construir ferramentas, conseguir automatizar coisas. Aí que eu comecei a realmente me desenvolver. E eu acho que, nesse sentido, eu concordo que não existe a melhor linguagem.

Na minha opinião, é qualquer uma, mas eu, se fosse indicar hoje para o meu eu do passado, eu comecei com C. Porque na faculdade a gente aprendia C, e é muito difícil você construir qualquer coisa de verdade com C.

É uma linguagem muito interessante, muito complexa, mas é muito difícil chegar em produtos reais que você, que estão próximos do nosso dia a dia. Ela é mais usada para coisas baixo nível, enfim. Então, eu acho que a minha recomendação é pensar: "o que eu quero construir, é um site, é um aplicativo, é um jogo"?

E aí pesquisar. Ir atrás de qual é a linguagem mais fácil para construir isso, que existe atualmente? 

Então, no caso dos sites, que é o que a gente ensina aqui, o desenvolvimento web é o JavaScript, eu só fui aprender JavaScript quando eu entrei no meu primeiro estágio. E aí, quando eu aprendi JavaScript, explodiu minha mente.

Falei: "nossa, agora eu consigo construir o que eu quiser". É meio essa sensação de superpoder assim, claro, limitado aos sites. Mas quando é o que você está interessado ali, dá muita essa sensação e acho que motiva muito a aprender. O mesmo vale para jogos.

Tem várias linguagens de jogos hoje, com bibliotecas e tudo mais que eu nunca, nunca codei nenhum jogo, mas eu imagino do pouco que eu já vi que seja muito mais simples que você pegar um C, basicão, e fazer qualquer coisa prática com isso.

E isso te motiva a continuar muito mais. Então, eu acho que eu escolheria a linguagem muito pelo tipo de coisa que você quer construir assim.

Chijo:

Dessa coisa de jogos. Eu estava inclusive esses dias dando uma pesquisada em como eu conseguiria fazer um jogo usando JavaScript no navegador.

É muito difícil, porque aquilo não foi feito pra isso. Eu já fiz um jogo antes pro meu TCC, foi um jogo e eu usei uma engine, que é um grande programão, que já te dá várias coisas ali do jogo. Então você vai ter um personagem no jogo, seu personagem vai andar.

E ele já te dá esse código de andar meio pronto, porque é uma coisa bem padrão. Então isso já facilita para você ir pensando em outras coisas e ter isso pronto. Então, de curiosidade, eu usei uma engine que é grátis, ela chama Godot.

É super de boa de usar a linguagem é meio parecido com Python, meio adaptado, mas ele já te dá toda uma estrutura para você conseguir fazer o jogo. E aí eu fui ver como que eu faço o bichinho andar em JavaScript, gente, é muito código para fazer uma coisa muito boba.

Então você tem ferramentas certas para fazer as coisas certas. Vai muito nisso que Darvas falou. 

Fê:

No joguinho também tem aquele site, o Scratch, que é bem facinho, é bem legal. E eu acho que ali muito tem lógica de programação envolvido ali. Então é bem bacana começar ali também. Se o foco é o jogo começar pela lógica, ali no scratch, você já vê a coisa ficando pronta, rápido dá aquela animada, sabe? Eu acho bacana também.

Chijo:

Scratch, eu acho que é um lugar que muitas pessoas recomendam para quem está começando também. Ele é bem visual, ali, e eu acho que a ideia dele é muito trazer a lógica de programação para um jeito mais simples.

Falando um pouco de lógica de programação, tem essa questão que as pessoas sempre falam que independente do que você for fazer, você tem que aprender lógica de programação. E aí todo mundo está sacudindo a cabeça. Queria que vocês comentassem sobre isso.

Darvas:

Eu acho que a lógica é muito importante, mas é uma coisa muito difícil de "ah, vou estudar lógica". Eu nunca como que estuda lógica eu não sei. Além de praticar e treinar. Eu lembro que os meus primeiros exercícios de programação lá na Poli, eram umas coisas muito complexas, de lógica.

Sim, em termos de código. Olhando hoje não é tão complexo, o código em si, você resolve com estruturas básicas de condicionais, loops e funções, sei lá, mas é umas lógicas muito difíceis. E não é tanto o código. Mas a gente passava dias, semanas olhando para aquilo lá e testando e fazendo diferente, mudando, e tudo mais.

E eu acho que foi esse processo durante anos e anos e anos treinando e batendo a cabeça mesmo me permitiram desenvolver uma lógica boa, sim. E aí, o que ajuda muito, muito, muito, é você botar as coisas no papel sim, eu acho que isso é fundamental até hoje. Eu faço isso.

Quando eu preciso desenvolver alguma coisa um pouco mais complexa, eu pego o papel e eu desenho o algoritmo o passo a passo do que que tem que acontecer ali. Pra daí pensar como transformar isso em código.

Então acho que isso ajuda demais. E as ferramentas visuais como o Scratch, que a Fê trouxe, é muito legal, porque te permite olhar só pra lógica. Você não precisa pensar em como transformar isso em código. Você olha, você só pensa na lógica e arrasta os bloquinhos para implementar aquela lógica.

E aí depois, pra ir para o código, eu acho que fica muito mais simples.

Fê:

Eu, como fiz letras pra mim, o lance da lógica de programação, primeiro precisava montar uma história na minha cabeça. Tinha uma história, sabe? E eu fazia aquele monte de coisa que eu aprendi no curso gratuito lá virar uma história na minha cabeça e aquilo ter uma sequência.

Então tá. O primeiro tem que partir do início. Era uma vez e vai, sabe? E o Scratch também me ajudou bastante, porque como tem já os bloquinhos e você só faz as coisas tipo numa sequência lógica ali.

Então eu meio que já quando eu comecei o curso, eu já tinha brincado um pouquinho com o scratch. Eu entendi mais ou menos o que eu precisava pra fazer, mas eu acho que a prática mesmo, que leva à lógica. Praticar bastante assim, não desistir e fazer mas transformar em história é bom também.

Mas é uma história, bem como contadinha, tem os mínimos detalhes. Não é uma história jogada assim. Sabe aquela história da sua amiga que te conta tudinho, essa história.

Darvas:

Uma coisa que eu pensei também, eu não acho que você precisa saber muito de lógica para começar a programar, sabe? É preciso um nível básico que vem muito com a prática e o scratch ajuda muito nisso. Mas manjar algoritmos e saber altas coisas lógicas.

Assim, a maioria das coisas que você vai construir no dia a dia como programador profissional não envolve muita lógica, muito mais você conhecer ferramentas, você conhecer o que você quer entregar e aí entra muito a questão da história, da historinha que você quer contar ali e como estruturar isso.

Enfim, não é tanto a lógica matemática que a gente está acostumado sabe. É uma lógica mais mais abstrata. Então, por isso que é difícil também praticar, sabe? Não é só sair estudando matemática, mas eu acho que isso não trava acho que as duas coisas vêm muito juntas. Não precisa saber antes a lógica para daí começar assim.

Chijo:

Estou muito decepcionada que vocês concordam comigo. Eu pensei que ia ter uma polêmica. Aqui. Porque todo site que você vê, todo o vídeo do YouTube que vai falar "como começar a programar". Todo mundo sempre chega e fala: "mano, lógica é o mais importante, a mais essencial".

Eu discordo disso porque as pessoas se fixam muito em aprender lógica e é isso que o Darvas falou, "gente, eu nem sei o que é lógica, o que você quer dizer com isso? Como que eu estudo isso?" Sabe? Tipo, tem muitos aspectos dentro disso. E as pessoas elas se fixam muito. A gente tem essa experiência com os alunos.

Nós três somos instrutores, da Labenu, já fomos ou somos. Os alunos ficam muito: "só teve uma aula de lógica?" Tipo, não, gente. Lógica, vocês viram o curso inteiro. Todas as aulas estavam vendo alguma coisa de lógica na prática, que é para mim, o que é o mais importante é você praticar e você vai tirando daquilo.

Você vai aprendendo a lógica, que às vezes parece, sei lá, eu estou fazendo um site. Não tem lógica... tipo, claro que tem, gente, você tem que saber se você vai mostrar o botão na tela vermelho, ou verde, como você faz isso?

Mas você não precisa começar a estudar, por exemplo, nesse comecinho, sei lá todas as estruturas de dados e como elas funcionam e tudo mais. Tipo, eu acho que é muito mais você ter o nível básico ali, entender as estruturas principais das linguagens.

Então, o que é uma condicional, que é um loop, esse tipo de coisa que você vai usar um pouquinho mais ali, e é isso, depois você vai praticando e vai aplicando esses conceitos e vai praticando, porque você vai pegar essa lógica, com o tempo, você não vai sentar e vai falar: "agora eu vou estudar toda a lógica e vou aprender toda a lógica antes de fazer o meu site",  tipo, não vai, e não vai fazer sentido.

E mais do que isso, você vai desistir porque não é um estudo divertido você não vai ver o seu site ficando pronto, porque o que dá aquela emoção, aquele pico de dopamina é você ver o site bonitinho, com o botão girando e acontecendo alguma coisa, né?

Não é sentei aqui, escrevi um negócio, eba, um algoritmo, que legal… às vezes é legal, porque você fica um tempo ali pensando nisso. Mas não é tão legal se você não vê alguma coisa acontecendo. Falou a front-ender! Claro, claro...

Fê:

Polêmica! Letícia Chijo discorda da maioria dos professores.

Chijo:

Fazer banco também é legal.

Fê:

Lógica não é importante. Ela disse isso? É isso, mesmo?

Chijo:

É importante. Mas não é o mais importante.

Darvas:

E eu acho que não é o foco, porque para você fazer o seu site, você precisa de lógica. Só que se você está focado na lógica em si, crua, pura, ali é chato. Então, por isso que eu falo muito em construir coisas e pensar o que você quer construir e aí focar.

E tenta de um jeito e tentar tentar tentar tentar. Eu vejo muito como um joguinho assim. Aí que você tem que passar de fase e ai você tenta de um jeito não dá, tenta de outro não dá. E aí você vai tirar dúvida e vai perguntar para pessoas mais experiente.

E com isso você vai montando um repertório de ferramentas que você pode usar para resolver os mais diferentes problemas. E tudo isso é lógica. A lógica, na verdade, é só resolver problemas como eu resolvo um problema com código, que é um tipo específico de ferramenta.

Então, focar em construir coisas, a lógica vem meio naturalmente assim. Eu acho.

Fê:

Eu acho que a lógica é justamente construir a coisa tipo ok, quando apertar esse botão, o que eu quero que aconteça. E aí isso já é lógica, porque se você fala o que eu quero que aconteça, eu quero que faça isso. Como? Já está na lógica. Sabe, fazer essas perguntinhas?

O lance da história. Eu acho que a prática e a própria construção da coisa, já leva à lógica, quando você consegue fazer, é porque você teve lógica ali. Eu acho que é isso, é a prática e joguinhos ajudam muito, principalmente joguinhos de lógica, esses joguinhos puzzles assim ajudam muito a pensar isso.

Fê:

Eu acho que as pessoas transformaram a "lógica" quase num "monstro da lógica", não, gente. E você faz coisas lógicas todos os dias. Quando você para no farol vermelho, você teve todo um pensamento de lógica, se o farol está vermelho, tem que parar; se está amarelo, tem gente que gosta de ir mais rápido, tem gente que dá aquela paradinha ali na hora.

Então você já está fazendo decisões lógicas. Isso é lógica. Não é muito mais do que isso, sabe? E a gente às vezes pensa: "eu tenho que aprender a lógica". O que é isso, então? Tipo, é pegar na prática mesmo. Acho que é o melhor jeito, né?

Darvas:

Eu acho que tem muito uma atenção também. Como as coisas acontecem assim, eu acho que isso na programação é muito importante. É o que a Fê comentou de apertar esse botão que vai acontecer quando eu apertar o botão, por que isso vai acontecer desse jeito?

E é muito essa atitude questionadora. E isso eu acho que ajuda muito a desenvolver a lógica. Você está sempre se questionando por que as coisas são assim? Por que esse site é feito dessa maneira? Ir atrás e pesquisar. E quando você vai entendendo, por que as pessoas construíram as coisas da forma que elas são construídas, isso te dá também mais repertório para você conseguir construir as coisas como você quer. E isso não vale só para programação.

Eu acho que falo muito das crianças que fica perguntando o porquê de tudo, essa curiosidade, sabe? Eu acho que isso, a curiosidade em si é muito importante para desenvolver esse raciocínio lógico, porque você entende o porquê das coisas e a lógica nada mais é do que você conseguir justificar tudo com alguma coisa.

E o computador precisa de tudo muito bem justificado, muito bem explicadinho para você conseguir fazer o que você quer que ele faça. Então acho que é um pouco daí que vem a dificuldade, assim, de você ter que explicar muito bem. E tem pessoas que não gostam… Não gostam de perguntar "porque", não tem essa curiosidade. Eu acho que são perfis diferentes mesmo, mas se você quer programar, eu acho algo importante de se ter assim, de tentar pelo menos envolver. 

Fê:

Se você quer programar, você tem que ser aquele bebê que joga as coisas no chão para ver o que acontece.

Chijo:

Enquanto você estava falando, eu lembrei de um vídeo ou algo em outro formato, mas daquela historinha que tem o pai com as filhas e fala: "vamos montar o sanduíche e vocês têm que me falar o que eu tenho que fazer e eu vou fazendo".

Aí elas falam algo do tipo: "põe o pão na torradeira". E aí ele põe o pão tipo em cima da torradeira. Então é a questão de você realmente quebrar os passos, muito bem. Você saber explicar realmente cada pedacinho, porque o computador ele é burro, gente, ele só executa o que a gente manda executar.

E se você não explica direito, ele vai fazer do jeito que ele entendeu ali, então às vezes não sai do jeito que a gente queria e tudo mais. E você vai refinando, e com o tempo melhora isso.

Fê:

E pior, a culpa é sua.

Chijo:

E aí eu acho que tem duas partes nessa conversa.

A gente tem como aprender a programar, que vai bem pro lado da programação. Mas acho que também tem muito uma parte de como aprender, porque aprender qualquer coisa é muito difícil.

E aí acho que o Darvas, quando estava no começo da Labenu, montando o curso, e hoje a Fê  também com as turmas que estão reestruturando algumas coisas. Eu acho que isso é o mais difícil, a gente ter ali alguma coisa para ajudar as pessoas aprenderem, porque aprender é difícil, aprender qualquer coisa difícil. Que dicas que vocês têm, mais nesse lado do aprendizado.

Darvas:

De forma geral, eu repito que é muito na prática treinar, treinar, treinar, treinar o que você quiser aprender. Mas programação, que é o que eu tenho mais familiaridade, é mais ainda, mas é. muito praticar. Se você consegue praticar sozinho e ai precisa de muita força de vontade, mas é o suficiente, eu acho, é por isso um curso, um apoio, um colega qualquer, qualquer coisa que te apoie a continuar tendo essa força de vontade de continuar praticando é muito benéfico.

Mas não é importante alguém te ensinar da forma correta? Eu acho que é, mas hoje em dia, com o Google aí você vai encontrar as respostas, as respostas corretas. E se você continuar praticando, e tentando e indo atrás e buscando e o mais difícil daí é a resiliência de continuar juntando com a lógica que você vai desenvolvendo, nesse processo todo, você vai encontrar o que é correto mais cedo ou mais tarde, sabe?

E de novo, no fim, tudo o que importa é o que você está construindo. Se você programa tudo errado, mas você constrói coisas incríveis tá ótimo, sabe? E com o tempo você constrói coisas incríveis, você vai cair para o lado correto, se você continuar estudando, continuar aprendendo.

É tudo uma questão de resiliência para mim, de força de vontade, de tentar praticar muito e de novo acho que cursos ajudam, o nosso maior apoio aqui é estar aqui pra te apoiar a não desistir. Eu acho que esse é o principal.

Fê:

Eu tenho um teoria, olha a polêmica. Cara, eu acho que se você já aprendeu, por exemplo, se você toca um instrumento, se você toca um instrumento, você também é capaz de programar, porque tocar instrumento é prática você não vai pegar um violão e falar, opa, estou sabendo já.

Mano, tem que aprender primeiro uma nota. Depois você tem que aprender a mexer com essa mão, mexer com essa. Então é isso que o Darvas falou, é praticar e não desistir. Se você já toca um instrumento, você já praticou. Você não desistiu e hoje você consegue tocar, cara, você ter o perfil para aprender programação também.

Porque se você não desistiu de tocar violão, que vai dar calo no seu dedo, você não vai desistir de fazer um site, sabe? Que não vai dar calo no seu dedo, não vai dar, programar, não dá calo no dedo. E eu acho que é isso praticar mesmo.

Chijo:

Essa questão de achar o jeito certo, muitas vezes o jeito errado também te ensina muito. Eu gosto de desenhar, eu não desenho muito bem, mas se você pegar os meus primeiros desenhos, gente, é uma desgraça.

É muito feio. Mas aí o único jeito de você fazer um desenho bom é você fazer uns milhares de desenhos diferentes. Então, tipo, pensando em códigos, se a gente pega uns códigos de quando eu comecei a programar, gente, eu vou dar risada.

É uma coisa tosca. Eu via uns projetos, às vezes tipo meses depois de eu ter começado e aprendido algumas coisas, eu voltava e via um código que eu tinha feito e ficava: "por que eu fiz isso?". Não faz nenhum sentido, tem um jeito muito melhor e muito mais fácil.

E aí você vai lá e arruma e fica tudo bem, ou não se foi só um projeto que você fez. A gente deixa quieto e faz um novo. Você sempre tem que ir fazendo mais coisas e com o seu aprendizado você vai melhorar. Você vai fazer errado algumas vezes e está tudo bem, sabe? Faz parte do processo.

Fê:

É isso não ter medo de errar. Tipo, erra, mas faz, sabe? Eu acho isso genial. Mesmo. Acho que até como como instrutora, a gente vê muitos alunos assim que eles paralisam por medo de errar.

Às vezes, não, a gente tem que, tipo, beleza, eu vou fazer errado e tudo bem. Isso aqui é um passo que eu tenho que fazer. Se eu não fizer, não vai ter outro passo. Vou ter que estar sempre preso nesse, não ter medo de errar que nem Chijo falou, desenha, faz o boneco de palitinho, vai melhorando seu boneco de palitinho, depois.

Esse medo de errar paralisa, não ter medo de fazer as coisas, acho que é um passo importante, sabe também?

Darvas:

Eu sempre falava quando eu dava aula, que o código não morde, não vai fazer nada. Se você usar errado, a pior coisa que vai acontecer é jogar uma mensagem vermelha na tua cara.

E você arruma e está tudo bem assim. Eu acho que a programação em geral as pessoas perguntam: "Mas qual é o jeito certo de fazer? Como eu faço isso?". De novo, acho que tenho formas melhores, piores, formas, mais simples, mais complexas de fazer.

Mas o jeito certo é o jeito que funciona. Isso foi algo que eu demorei muito para me desapegar como desenvolvedor. Até hoje é uma dor, na verdade.

Às vezes, eu tenho que fazer uma funcionalidade, eu fico um tempão pensando como é que eu vou fazer isso? E aí eu paro e falo: "vou só fazer". E é o jeito certo ou o jeito errado ele vai aparecer, porque se tiver errado, eu vou ver que não vai funcionar, ou vai funcionar mal, ou amanhã, quando eu for mudar, vai ser difícil de mudar.

E aí eu conserto, porque a gente tem essa característica como seres humanos, de aprender com os nossos erros. Então a gente faz besteira e hoje a gente arruma a besteira e tá tudo certo. A gente não é. A gente não está na medicina que você faz uma besteira. E putz, já era. Deu um problemão. Ou Direito que tem a lei e você tem que seguir a lei. Aqui, não.

A programação é tudo uma grande convenção. Sentou um pessoal e decidiu que vai ser assim. Então, se é tudo uma grande convenção, por que você não pode mudar a convenção? E se você mudar a convenção  qual o problema que vai ter?

Pode ser que seja pior. E aí tem que padrões. Têm boas práticas porque são pessoas que validaram aquilo por muito tempo. E falou: "olha, se você fizer assim, provavelmente vai dar, vai ser mais fácil". Mas não é que todos os jeitos não funcionam?

E no processo de aprendizado, explorar os jeitos que não funcionam é essencial também por que eu estou fazendo desse jeito? Só porque eu li em um livro? Vou fazer do outro jeito e ver o que acontece. Qual é o problema? Nada de ruim vai acontecer

Só um parênteses rápido. Se você está numa empresa, siga as boas práticas dessa empresa, porque elas estão ali por motivos que alguém definiu. Então, tudo isso é muito pro aprendizado para esse momento. Onde você está se desenvolvendo, onde você está aprendendo a lógica, as linguagens e tudo mais.

Erre, erre muito, mas quando você vira um profissional, aí você tem que dar o seu melhor para seguir os padrões que são feitos ali. E se você não sabe, pergunta, está tudo bem. Não tem nenhum problema perguntar.

Fê:

Erro é aprendizado, quando você erra. Cara, eu não lembro muito dos meus acertos, mas os meus erros… Eu falo: "nossa, eu já fiz isso aqui, não deu certo, beleza". Já fiquei parada um tempão nisso aqui, deixa eu fazer isso desse outro jeito. Então errar é bom, eu não vejo errar ruim, não. Acho errar bom. Cada erro que explode na tua cara, no navegador é um aprendizado. Você já sabe aquele erro.

Darvas:

É mais um boss do joguinho.

E mesmo na empresa. Na verdade, pensei agora que mesmo na empresa, você vai errar. Vai fazer muita besteira. Eu faço, eu erro o tempo inteiro. Dá um monte de bug nos sistemas. Quem é nosso estudante já viu os warmup chegando.

Tudo errado. Isso é erro. A gente vacila e faz parte. Mas é isso. Eu acho que quando você está lidando com negócios, com outras pessoas, com alguma responsabilidade, você tem que ser mais, ter mais critério e ter mais cuidado com os erros que você comete.

No momento de aprendizado só erra, não precisa, tá nem aí, só faz. E se der errado, isso não tem nenhum impacto, não tem problema nenhum. A sua honra não está afetada porque você cometeu um erro no código, sabe? Isso é especialmente válido dentro do curso da Labenu. De qualquer curso, de qualquer momento de aprendizado.

Chijo:

Você vai entrar na empresa ali, no momento que você ainda está aprendendo mais inicial, você vai fazer coisa errada, mas vai ter alguém que vai olhar e vai falar: "você fez um troço que não está muito legal, assim seria melhor".

Você nunca vai estar sozinho fazendo, sei lá, o sistema de bordo de um avião que vai cair todo mundo, sendo um desenvolvedor júnior, gente, relaxa, alguém vai estar ali junto com você, fazendo as coisas.

Vendo se está tudo certo. Então, mesmo no ambiente de trabalho em geral, é também esse ambiente de as pessoas se ajudando e uma corrigindo o erro da outra e tudo mais, programar é muito um trabalho em equipe, então todo mundo vai colaborando ali.

Darvas:

É óbvio, o que a gente falou, ter bom senso ali, se você sabe que aquilo não está muito legal, dá uma pesquisada e tudo mais. Mas tipo nunca vai explodir tudo só com você e vai ser sua culpa unicamente. 

Eu acho que sempre tem um bom senso das pessoas que estão no projeto de não colocar uma pessoa iniciante para fazer uma coisa que pode dar muito errado sozinha. E se der problema, a culpa é da empresa que contratou alguém que não tinha a qualificação necessária para resolver aquele problema ou que não revisou o código ou que não tem uma cultura de feedback boa o suficiente para isso isso poder rolar.

Então é isso eu acho que é cada um dando o seu melhor, quando você está em um ambiente profissional é ter o maior rigor que você puder que você conseguir com a sua experiência para avaliar os riscos e tomar as melhores decisões. E no ambiente de aprendizado aí, rigor no...

Fê:

Eu acho também esse negócio de ser júnior. As pessoas ficam muito preocupadas. Cara, calma, você é júnior as pessoas que vão te contratar. Elas têm essa consciência de que você é júnior. Eu, quando saí do curso, eu estava apavorada. Eu falava: "será que sou o suficiente?

Será que isso que eu aprendi é suficiente?" E é suficiente, gente. Eu fiz vários processos seletivos eu passei em vários processos seletivos porque as pessoas sabem que você é júnior, que você tem aquele conhecimento e está tudo bem, sabe? Só respira, confia no processo.

Darvas:

Quem tem que decidir se você é suficiente ou não é empresa, não é você. Vai lá e tenta, porque eu vejo muita gente que não consegue, não por não ser suficiente, mas porque não acredita que é ai nem tenta ou tenta se jogando para baixo mas eu não sei. Fala aquilo que você acha que você sabe e a empresa vai avaliar, vai ter os mecanismos para isso.

Fê:

E aí a gente volta no negócio do bebê.

Chijo:

Ainda nesse assunto de aprender a programar é uma pergunta que eu vejo bastante. Inclusive nessa semana, quando a gente liberou o episódio anterior e ficou lá no chat conversando, veio uma pessoa perguntar: "eu tenho 35 anos e como que faz para entrar no mercado?", "Ah, mas eu sou mulher, mas eu sou do Acre", sei lá.

Eu acho particularmente que a programação hoje, ainda mais depois da pandemia, ela está muito acessível para qualquer pessoa. Mas eu queria ouvir um pouco também de vocês. O que vocês tem visto no mercado nesse sentido?

Fê:

O que eu vejo que eu fico acompanhando o LinkedIn e eu acho que a programação eu acho que é um dos lugares mais que abraçam a diversidade hoje em dia, sabe? A gente viu várias empresas fazendo processos seletivos, exclusivo para LGBT, exclusivo para negros, exclusivo para todos nessa área de programação.

E a gente tem o aluno lá na Labenu, o Marcelo, que com 70 e tantos anos fez o curso e foi contratado, sabe?

Então, acho que se você quer mudar de carreira, se você quer ir para programação e você tem medo A ou B, não tenha. É uma área, que eu acho que, antes era muito masculina. Mas eu acho que hoje em dia está crescendo bastante, está abrindo as portas assim para para diversos tipos de público. Sabe, diversas crenças.

Darvas:

O mercado de tecnologia em geral não só como programação, mas tudo o que envolve empresas de tecnologia, tem se aberto muito à diversidade, a pessoas diferentes, muito por uma questão, que eu acho que as empresas estão percebendo agora que você ter um time diverso, quanto mais pessoas pensando de forma diferente, mais soluções criativas e inovadoras você vai poder construir.

Então, eu acho que é isso que as empresas estão percebendo agora de que você precisa da maior diversidade possível de pensamento mesmo para você conseguir resolver os problemas das pessoas da melhor forma possível, de forma mais inovadora. De forma mais eficiente.

Eu vejo isso muito aqui na Labenu. A gente começou ali com um grupinho muito fechado da Poli e tudo mais, e conforme a gente foi trazendo pessoas cada vez mais diversas, diferentes. Eu sinto que a gente começou a resolver as nossas questões de forma mais inclusivas para todo mundo, pra quem trabalha e para os nossos clientes e de formas mais inovadoras. E é isso eu acho que é só. Eu só vejo vantagens e acho que cada vez mais as empresas percebem isso.

A dica que eu dou é se joga sabe, vai lá e vai ter gente babaca, vai ter gente que não, não está aberto a isso, infelizmente. Mas eu sinto que essas pessoas são cada vez mais a minoria e as pessoas precisam conquistar o espaço delas.

Chijo:

Exato, pra aprender, a gente, todo mundo tem a capacidade de aprender programação. Foi muito o que a Fê falou assim do curso. A gente vê pessoas muito diversas chegando de várias áreas. Não é só pessoas de exatas. Todo mundo sempre pergunta mas eu vim de letras, mas eu vim de direito.

Eu vou conseguir aprender, vai conseguir aprender. E até comentando um pouco sobre o curso, a gente tem essa formação ali desde o começo mesmo para quem está do zero. Então, é uma preocupação que você tem que ter quando você vai escolher em um curso porque você pega um livro super avançado, obviamente você vai se frustrar, não vai entender nada. Você está começando do começo, tem que começar do começo.

E a gente tem essa formação aí de front end, back end, bem voltado para o que a gente vê, que está sendo usado hoje no mercado. E você só paga o curso se você estiver trabalhando e ganhando mais do que R$3.000. Então, se você tiver interesse aí de conhecer o curso de Labenu, é um jeito legal de começar a programar, e a gente aqui gosta e tals, então está lá no site: www.labenu.com.br

E fica lá para saber das turmas que a gente tem. Também pode seguir nas redes sociais, aqui no próprio Spotify, YouTube que você está vendo a gente, onde for. A gente sempre traz informações aí sobre as turmas e tudo mais. E, gente, acho que é isso. Queria pedir para vocês darem uma última dica geral e se despedirem.

Darvas:

Acho que uma última dica é não desistam, tentem, tentem muito. Falei isso várias vezes, mas pratiquem e não desistam, continuam tentando para algumas pessoas vai ser mais fácil, para outros mais difícil. Mas se você tiver força de vontade, resiliência, mais cedo ou mais tarde, eu tenho certeza que todo mundo consegue. Venha para Labenu! É show! Mas é isso. Foi um prazer participar e espero ser convidado novamente.

Chijo:

Será? Se as pessoas não gostarem?

Darvas:

Mas é isso, obrigado pela atenção.

Fê:

Bom, primeiro dá like porque eu quero voltar também. Se as pessoas gostarem. Bom, a dica que eu dou, cara, se joga, sabe? Estou com medo, vai com medo. Não para por causa do medo. O medo paralisa. Eu sei, porque sou a pessoa mais medrosa que eu conheço. Eu vou com medo, mesmo, se não fico parada.

Então se joga, você quer aprender a programar? Vai! Faz! Pega um curso gratuito, vem pra Labenu, que é um curso gratuito até você arranjar o emprego de R$3.000. Mas se você quer, vai, sabe? Vai com medo, mas vai. É isso. Obrigada! Também adorei participar, me chama de novo. Deem like!

Chijo:

Obrigada a vocês também por participarem. Obrigada para você que está aí assistindo, gente, e até a próxima.

Tchau!

Fê:

Gostou do episódio de hoje? Você pode interagir com a gente lá pelo Instagram da Labenu: @labenu_

pra gente discutir um pouquinho mais sobre o episódio de hoje.

Darvas:

A gente também disponibiliza todas as informações, referências e a transcrição desse episódio lá no nosso blog. Acessa lá:

www.labenu.com.br

Chijo:

Por fim, você também pode acompanhar os episódios do LabeCast no YouTube, no Spotify ou na maioria das plataformas de áudio. A gente lança episódio todas as terças. Até a próxima.

Referências citadas no episódio

Engine para jogos Godot - https://godotengine.org/

Ferramenta visual para estudo de lógica - https://scratch.mit.edu/

Um site bem legal com roadmaps de desenvolvimento - https://roadmap.sh/

Vídeo do algoritmo do sanduíche - https://www.youtube.com/watch?v=pdhqwbUWf4U