Qual a diferença entre competição e competitividade? - LabeCast #09

Neste episódio do LabeCast, vamos entender de uma vez por todas qual a diferença entre competitividade e competição. O que é melhor para sua carreira? O que o mercado de trabalho valoriza em seus colaboradores?

Letícia Chijo, Luciano Naganawa e Natálie Araújo explicam o que é competição e o que é competitividade trazendo exemplos do cotidiano de uma pessoa programadora.

Luciano Naganawa:

Oi, gente, tudo bem? Sou Luciano Naganawa.

Natálie Araújo:

Oi, gente, quem está falando aqui é Naty Ar.

Letícia Chijo:

Oi, eu sou a Letícia Chijo. E esse é mais um episódio do LabeCast, o podcast oficial da Labenu. Oi, gente, bem-vindos a mais um LabeCast, hoje a gente vai falar de um tema bem interessante para a carreira, que eu acho que é para a carreira de qualquer pessoa, na verdade, que é competição ou competitividade? O que é melhor ter na sua carreira? E aí eu estou com a Naty e Lu, pra gente falar um pouquinho desse assunto.

Naty:

Olha, é um desafio, porque a gente é educado desde pequeno, minha gente, veja, eu lembro, tenho memória afetiva do meu vestibular, que a gente falava sobre concorrência. Na vida adulta, aquela frase me persegue "estude, enquanto eles dormem". É esse aspecto da competição. Eu fui cercada sobre isso. Eu tive uma fase da minha vida em que eu fui concurseira. Então, imagina como era ter que encarar esse processo.  Mas hoje a gente vai entender um pouquinho mais sobre a diferença entre competitividade e competição, porque é importante a gente ter competitividade e porque não é tão legal ter competição. Bom, competitividade, gente, é você estar sempre disposto a buscar a velha fórmula melhor versão de si, a sua alta performance e a competição é quando você encara um trabalho de oposição, digamos assim, com outras pessoas. E por que não é bom a gente falar sobre competição? Porque o profissional que ele é competidor é diferente do profissional competitivo, o profissional que ele é competidor, quando ele está na empresa, ele não tem noção de trabalho em equipe. Ele não tem colaboração. Ele quer levar todos os louros daquele projeto. E aí, quem acaba vivendo esse processo muitas vezes não percebe o valor e a importância que tem no desenvolvimento, ao lado de pessoas que vão fazer com que ele também cresça e se destaque. Então, eu acho que o mercado de trabalho, ele às vezes deixa sobressalente a ideia de que você tem que ser competidor, mas não, você tem que ser competitivo. Você deve estar sempre buscando aprimorar, se capacitar, desenvolver mais. Esse processo faz com que você não entre naquela coisa de "poxa, fulaninho, é melhor do que eu", aquela disputa que é muitas vezes um dos problemas das organizações quando gera esse conflito entre os os membros do time.

Lu:

Acho que essa postura competidora tem um pouco a ver com uma lógica de soma zero, onde alguém tem que perder para eu ganhar e vice versa. Se alguém ganhar, eu vou de alguma forma perder. É um contexto meio de escassez, assim que de fato ele em alguns ambientes ele acontece. Então tem ambientes profissionais que são muito competidores e incentivam a competição entre as pessoas. Normalmente são situações pouco colaborativas, então, de certa forma, eu vejo uma oposição a uma atitude competidora, principalmente dentro de um time com uma atitude colaborativa. A gente acaba esbarrando em algumas coisas "eu quero entregar mais, eu quero ter um mérito maior dentro do time, dentro de um projeto". E isso fere muito a atitude colaborativa, que é muito importante dentro do contexto de tecnologia de programação. A gente vai falar mais sobre isso depois. Mas é isso, a competição. Essa lógica de que para eu ganhar alguma outra pessoa tem que perder, esse tipo de competição a gente vê muito nos esportes, no entretenimento tem muito disso, porque é interessante você acompanhar uma disputa, mas na realidade, no trabalho, não precisa ser sempre assim. E, como a Naty falou a gente vem de um contexto, onde isso era muito incentivado. O próprio vestibular, ambiente corporativo, os profissionais mais tradicionais. Onde é incentivada essa competição entre pessoas para ter um resultado melhor num ambiente colaborativo não faz muito sentido.

Chijo:

Quando eu comecei a trabalhar bem novinha, tinha 16 anos. Fui fazer um estágio em um dos órgãos da prefeitura lá da cidade. A prefeitura, eu não era concursada porque eu era só estagiária, e estagiária  não tem nem idade para fazer concurso, na verdade, naquela época. Mas acho que tem muito desse contexto que você falou, das pessoas que se prepararam a vida inteira, fizeram aquele concurso e estavam lá. E por ser um ambiente político também de certa forma tinha muito uma competição que não era muito saudável entre as pessoas, puxação de tapete, aquela coisa toda. E, em contrapartida, depois de um pouco mais velha, eu comecei a trabalhar basicamente em empresas menores e em start ups. E é um outro clima, outra coisa, porque está todo mundo trabalhando para um objetivo ali, que está bem mais claro, todo mundo se ajudando. Claro que eu não posso falar que é assim em todo lugar, foi assim onde eu passei, mas é uma diferença que foi bem contrastante assim para mim, de como o ambiente fica muito mais saudável quando as pessoas estão se ajudando a chegar na mesma meta do que quando as pessoas estão competindo e ninguém vai para a frente ali.

Naty:

Exatamente, e assim, uma coisa que eu sempre me indaguei no meu processo de desenvolvimento de carreira era por que a gente tem que ser sempre o melhor? Eu não sei se vocês já se perguntaram isso e eu me perguntei isso durante minha vida, porque a auto cobrança é uma coisa que ela é muito intrínseca a competição. Eu nunca estava satisfeita comigo. E aí, gente, eu fui pesquisar sobre justamente esse ponto que Lu falou que a competição é muito aguçada, principalmente no meio esportivo. E eu li sobre a síndrome do atletismo mais ou menos o seguinte: eu notei, não sei se vocês já perceberam isso, se é só noia minha. Aqueles atletas do atletismo que eles vão lá correr aquelas mega maratonas e etc. Então eles estão lá correndo. Eles levam, sei lá, 40 minutos de prova. Não sei exatamente, quando eles ganham, observe as expressões deles. Eles não estão. Eu sei que existe o cansaço e todo o processo. E eu fiquei com aquele encucada. Por que eles não ficavam felizes? Não desenvolviam aquele processo, não ficavam felizes, tinham ganhado e tal milhares de pessoas naquela prova. Enfim, eles ganharam em primeiro. Eu vi a entrevista com um queniano que ele falava que agora, quando ele vence, já não era a vitória que se tratava, já era o próximo passo. Então assim a competição ela te cega de uma tal forma que você fica com a síndrome do poder. Eu não me permito viver aquele momento. Eu estou sempre querendo mais. E você não, não curte as pequenas vitórias e você também não consegue partilhar a vitória do amigo, do colega. Sabe? Isso é o legal do time, é que o time muitas vezes, na maioria das vezes, na verdade ele vai estar muito mais focado no crescimento conjunto do que no desenvolvimento individual. Você pode não ter o seu nome na plaquinha do melhor funcionário do mês, mas você vai ter ali um colega seu brilhante, se desenvolvendo, sabe? Então eu acho que essa torcida é a principal chave dentro da colaboração que distingue aí a questão da competição, da competitividade.

Lu:

Tinha uma coisa interessante que falou sobre essa questão, por exemplo, o profissional do mês, quem é o destaque, aqui na Labenu a gente trabalha diferente. Ao invés de ter alguém que é destacado ali, não sei por um comitê, alguém quem foi o melhor. A gente tem uma dinâmica que acontece quinzenalmente, onde a gente compartilha elogios entre a gente. "Você foi bem, você foi bem", e aí é muito menos competitivo e mais colaborativo. As pessoas dão esse feedback e tem estudo sobre isso, de que é muito positivo receber esses elogios de uns aos outros. Cria um ambiente muito legal e as pessoas se sentem bem. Então acho que um impacto interessante, vendo na prática, no mercado de trabalho, a diferença de trabalhar num lugar onde a competição é o foco, onde a competição é a prioridade de um lugar onde a colaboração ela é incentivada, é bem diferente. Eu me sinto melhor, eu, pessoalmente. Mas tem estudos que dizem como têm resultados melhores, principalmente nas áreas de tecnologia, desenvolvimento de produto. Tem até dinâmicas específicas de colaboração que são incentivadas dentro desse mercado, que trazem indícios disso.

Chijo:

E eu acho legal uma coisa que você falou também que não é um comitê ou uma liderança que está dando os elogios e validando ali, é todo mundo junto. Então, até o elogio é um pouco colaborativo ali é todo mundo… Porque você vê quem você trabalha no dia a dia. Você não vai ver a empresa inteira se é uma empresa maior e tudo mais, então você ter o reconhecimento das pessoas que estão com você, que você admira ali também, eu acho que é uma coisa sempre muito legal assim. Eu vejo, às vezes, assim: "ah, eu recebi um elogio do fulano, nossa, eu gosto tanto do fulano, admiro tanto". E isso é legal. Não é só a liderança, não é só o dono da empresa. Também gosto quando você me manda elogio. Mas não é só o seu ali, também.

Naty:

Isso que vocês falaram é muito, muito bom. E não é puxando sardinha pra Labenu, tá, gente, vocês quando vocês que já estão no mercado de trabalho, ou vocês que vão se inserir, vocês vão entender que estou falando. A gente tem uma cultura muito forte de feedback. A gente tem uma cultura muito forte, de troca de elogio. Veja que desde o Botinho ele pergunta como a gente tá até o momento em que a gente está se despedindo no all hands. Isso é o que separa organizações que estimulam a competitividade em detrimento de organizações que estimulam a competição. Eu nunca entendi. Eu nunca entendi, por exemplo, estruturas como lojas que vendem carro que você chega lá e eles ficam competindo entre eles para ver quem vende mais, cara, é surreal para mim, a pessoa que não vendeu, ele está com a baixa venda. Ele compromete todo o desempenho da equipe, mas a foto é de quem se destacou em detrimento ao outro. É claro que a gente não tem que fazer feito mãe, né? "Você não fez mais do que a sua obrigação". Porque minha mãe é assim. Tira dez, "você não fez mais do que a sua obrigação". Mas a gente também não pode subestimar uma pessoa, um profissional, em detrimento do outro, porque você gera naturalmente ali o espírito que não é legal, não é saudável, como você falou, sabe? Então a gente tem sorte, não é sorte. A gente teve a oportunidade de trabalhar dentro de uma estrutura que é a Labenu, que ela pensa nesse processo. E cá pra nós, gente, a programação é um mercado acirrado. Então a gente conseguir implementar isso dentro da estrutura da escola é muito massa, é muito surreal. 

Chijo:

E eu acho que isso é uma coisa que a gente tem que estar consciente mesmo, porque quando a gente está crescendo foi o que você falou, é desde sempre a gente sendo incentivada a ter uma competição, então quem tem irmãos sabe como funciona essa coisa.

Naty:

Você é irmã do meio?

Chijo:

Eu sou a mais velha.

Naty:

Nossa Senhora, boa sorte! 

Chijo:

Nós estamos só em duas. Mas a gente tem ali um pouquinho daquela competitividade entre irmãos e primo também. Se você não tem irmãos, pode ser. E a gente está acostumado com isso. Então, muitas vezes a gente nem sabe que tem outra possibilidade. A gente já pensa assim. "Quero fazer uma coisa legal para os meus funcionários, vou recompensar o que vender mais". Então não é nem na maldade, é porque a gente está acostumado a fazer isso. Mas a partir do momento que você tem esse conhecimento de que talvez isso não seja tão legal, aí a gente começa a pensar em alternativas mais interessantes.

Lu:

Pensando um pouco sobre o tema, eu fiquei refletindo um pouco porque na parte de programação, de tecnologia, porque que é diferente, a gente tem um incentivo, tanto a colaboração em detrimento a competição, pelo menos internamente. Uma das coisas que eu pensei é que na programação, na empresa lá que tem 100 pessoas programadoras, trabalhando em diversos times, de uma forma ou de outra, está todo mundo trabalhando numa mesma base de código. Então, tecnicamente, você está trabalhando numa mesma coisa, está compartilhando código entre pessoas, seja de fato compartilhando dentro de um ambiente ali, de base, de código, ou seja, compartilhando conhecimento, usando os mesmos códigos. E imagina um ambiente competitivo dentro do time, trabalhando no mesmo código, um roubando o código do outro.

Chijo:

A gente já rouba do mesmo lugar.

Lu:

Sabotando o código do outro, não ia fazer sentido, porque, é isso, se uma pessoa ali dentro do time mandou muito bem e fez um código que ajudou o sistema, o produto a ser melhor. Todo mundo se dá bem. Não tem como você direcionar tecnicamente o mérito disso para uma pessoa de dentro do time. Diferente, por exemplo, numa venda que você pode atribuir essa venda é dessa pessoa, essa venda é dessa outra pessoa. Então o resultado pode ser dividido entre as pessoas. E você pode falar, "essa pessoa teve um resultado bom, e essa pessoa teve um resultado ruim". E aí talvez, eu não acho interessante, mas talvez seja o motivo pelo qual as pessoas vão para esse espaço mais de competição. Dentro do ambiente de programação, não faz sentido. Qualquer uma das pessoas programadoras pode derrubar o banco, atrapalhar todo mundo. Então, melhor todo mundo se ajudar, do que um querer atrapalhar o outro, não ajudar o outro, porque é melhor que todo mundo esteja bem do que alguém se destacar. Mas  um só que está mal pode derrubar todo mundo.

Chijo:

Esses dias eu vi um meme. Até depois eu coloco lá no blog, junto com a transcrição do episódio, que era dois designers conversando sobre o trabalho. Aí um designer fala: "meu trabalho está horrível". Eu o outro fala: "não, seu trabalho tá incrível, tá muito lindo". E aí, dois programadores conversando sobre o trabalho deles:

- Nossa, esse é o pior código que eu já vi.

- É verdade, está ruim mesmo.

Porque as pessoas estão ali fazendo juntas e elas vão vendo. Muitas vezes, quando você faz o código, fica lá escrito quem fez cada linha, quem fez a última modificação e você fala: "nossa, que código estranho, vou ver quem fez".  E muitas vezes foi você mesmo que fez. Eu já passei por essa situação, algumas vezes. Porque é um trabalho muito que está todo mundo aprendendo junto, muito rápido, porque uma pessoa foi lá e fez melhor e todo mundo sempre, antes de um código ir para o produto, realmente, outras pessoas revisam aquilo também, outras pessoas da equipe. Então, desde desse momento já está tendo uma colaboração. A pessoa que sabe um pouquinho mais vai falar: "desse jeito ficaria melhor".  Então já é um trabalho colaborativo desde o começo. E aí, quando você vai tendo esses feedbacks ali muito rápido, você evolui muito rápido também. Então isso acho muito legal da programação que você já vai aprendendo e corrigindo os erros e todo mundo junto,todo mundo se ajudando. Tanto que a comunidade, sem ser assim no seu projeto, no seu trabalho. Mas a comunidade de programação é uma coisa bem legal, tem muitos fóruns, tem muitas coisas de discussão. Você sempre acha alguma resposta para essa pergunta na internet. Porque alguém teve esse mesmo problema e outras dez pessoas foram lá e responderam jeitos diferentes de fazer. E elas fazem isso, porque elas querem, porque é legal. Eu sempre achei que isso é muito interessante. Eu não vejo isso acontecendo com tanta frequência em outras áreas.

Naty:

Perfeito, exatamente. Eu não sou da área da programação, mas é uma coisa que é perceptível. Há uma ajuda mútua, há uma ajuda mútua. Você falou em fóruns. Eu estava fazendo semana passada uma pesquisa para um tema das oficinas. Foi síndrome do impostor na programação. E aí tinha um rapaz lá que eu peguei um print dele do Linkedin, ele falando: "coda, acha horrível, joga fora, não sei o que". E é exatamente isso que você estava falando, nos comentários, a pessoa: "tá ruim isso aí, viu? Você tem que melhorar". Mas assim é uma forma estimulante, porque as pessoas precisam entender que a competitividade ela também te dá a base. Ela também te dá um alicerce para você chegar para o seu amigo e dar aquele toque do seu colega ou até pra uma pessoa estranha chegar e dizer assim: "olha, pode melhorar nisso aqui".  E isso não faz com que a pessoa seja subjugada ou desvalor. Isso é legal, diferente da competição, que o cara quando ele vê você errando e até te estimula: "vai lá, isso está perfeito, nossa, isso está muito bom, com certeza".  Porque ele acha que você é uma ameaça para ele, entendeu? Enfim, então esse é o grande barato da competitividade dentro da programação, em detrimento da competição de outras áreas profissionais, que é muito mais marcante.

Chijo:

E aí, então eu acho que a gente chegou a essa conclusão, que a competição ela não costuma trazer benefícios, mas então ser competitivo é uma coisa boa. Então, como a gente consegue trazer isso pra nossa carreira de uma maneira positiva?

Naty:

Bom, vou começar pelo comecinho assim mesmo. Numa entrevista de emprego sempre rola, aquela dinâmica de grupo. E aí, numa dinâmica de grupo, tá todo mundo ali da empresa avaliando. Você vai, não vai todo mundo falar ao mesmo tempo, quando vai fazer a apresentação, você escolhe geralmente um representante. Então, se ele tem um posicionamento de competição perante os semelhantes dele e da equipe, ele já mostrou ali que ele não é competitivo, é competidor. Então você já começa a observar isso desde o processo da entrada da empresa. Como é que a competitividade vai ser algo de agregar valor dentro da jornada do profissional? Se capacitando, buscando um pouco mais, sempre entendendo, se colocando de maneira humilde de que alguém que está ali, que ele também pode aprender a aprender desenvolvendo life long learning. Entendendo que a construção dele, está tudo bem, se tem alguém mais apto para ele naquele momento, tem sempre alguém melhor que a gente em alguma situação. E está tudo certo. Que responsabilidade a gente ia ter se a gente fosse sempre a pessoa melhor em tudo, cara, ia ser muito chato. Então é importante você entender dentro da competitividade que ela é maravilhosa porque ela te permite. Ela te facilita você se desenvolver. A competição não. A competição quer que você já esteja pronto, já esteja apto, seja o melhor, seja o especialista, sabe, sempre seja a pessoa que está acima de todos. E não é por aí, né, gente? Alguém que tem uma competição muito forte, dentro de si, dificilmente ela consegue interagir com os pares. Dificilmente ela consegue fazer uma liderança saudável. Ela vai estar sempre ou puxando o tapete ou puxando o saco, porque ela nunca. Ela vai estar sempre criando estratégias para se colocar de uma maneira superior aos demais e não tem necessidade disso. Não precisa.

Lu:

Acho uma coisa interessante, minha visão assim do mercado é para você ser competitivo, ter um nível de entrega acima da média, constantemente, é essencial você abrir mão um pouco da competição, de competidor com as outras pessoas. Então, tem que ter uma mente aberta, tem que ser colaborativo em comunidade, seja comunidade open source, seja ajudando as pessoas, outras pessoas ali dentro. E isso é essencial para você fazer uma boa entrega. Não tem como. Seja pelo próprio contexto do mercado, de já utilizar práticas colaborativas, então você vai ter que entender isso. Você vai ter que abrir mão do espírito de competidor para colaborar com as outras pessoas ali, entender quais são as melhores formas de colaborar, participar dessas atividades, porque senão você não vai conseguir fazer uma entrega de alto nível. E quando você chega num momento de de liderança, de gestão, com certeza vai ser ainda mais importante você entender essas dinâmicas colaborativas para que você tenha uma boa entrega do seu time, que você tenha uma boa resposta, uma boa performance de todo mundo.

Chijo:

Uma coisa que eu acho que é interessante essa questão de ver uma pessoa que sabe mais do que você e ficar com medo ou ver uma pessoa que sabe menos e achar que você tem uma vantagem. Eu sempre vi isso de um jeito diferente e aí talvez por isso que eu virei instrutora. Mas enfim, no sentido de a pessoa que sabe mais é uma pessoa com quem eu possa aprender muitas coisas, e a pessoa que sabe menos é uma pessoa que eu posso ajudar e ensiná-la a aprender muitas coisas. E quando a gente ensina, a gente também aprende. Então cria todo esse ciclo muito positivo. É um ponto de vista diferente que eu acho que acaba trazendo mais vantagem para todo mundo, porque a pessoa que está te ensinando também está aprendendo alguma coisa, também está se desenvolvendo, seja tecnicamente, seja nessa habilidade de didática, de comunicação, que são coisas bem importantes. E você, quando ajuda outra pessoa, também tem esses benefícios. Além de ser uma coisa muito legal que você consegue ajudar alguém, a pessoa fica feliz e tudo mais. Então tudo isso ajuda todo mundo e faz um produto melhor, cria um clima melhor e quando se está trabalhando num clima mais legal, as coisas saem com mais facilidade também. Então eu acho que tudo parte desse princípio que a gente está lá para colaborar e para se ajudar, e que quando a gente faz isso, as coisas fluem muito mais.

Naty:

Exatamente isso. A competitividade é o que Lu falou, a competitividade parte do princípio da colaboração, a competição, ela parte do princípio da concorrência. E aí, em algum momento vai haver uma falha, não vai, não vai se encaixar, não tem como. Dentro do mercado de trabalho, a gente ainda percebe muito estímulo, dentro das organizações, de chefias que fazem isso, que ela estimula a guerra entre os colaboradores e destaca aqueles melhores. Mas aí, como Lu falou, nessa cultura de ganha ou perde, todos perdem. Não tem aquele que fique equilibrado. Se só eu me destaco. E como você complementou, Chijo, não tem coisa mais gratificante do que você poder dar um suporte ou ter uma rede de apoio, ou ter uma rede de apoio, porque em algum momento da nossa vida a gente vai ser ou veterano, ou vai ser novato, entendeu? Hoje, se... tu é destro ou canhoto, Lu?

Lu:

Destro.

Naty:

Destro, eu também. Se uma pessoa canhota, chegar aqui, e ela disser assim: "escreve com a mão esquerda". Eu vou ser novata naquele processo, mas com a neuroplasticidade da gente, a gente vai conseguir, com o tempo e a prática, desenvolver uma escrita melhor, bem como se a gente chegar para essa pessoa. A gente vai ser veterana em termo de escrita destra, então todo processo é a gente se colocar sempre como iniciante. E está tudo certo e sempre também como a pessoa que está aqui para agregar algum tipo de conhecimento para os demais. E está tudo bem. Eu acho que isso é o barato legal da competitividade, é que você não só aflora em você senso de comum, de coletivo, como você também percebe um desenvolvimento seu muito maravilhoso, porque, cara, não tem coisa mais gratificante do que você poder dar um suporte para um colega seu por algo que você nem sabia antes como era, ou seja, ali validou que você já aprendeu aquilo ali que você já conseguiu transmitir. Isso é muito bom e isso é muito legal.

Lu:

Eu pensei, a gente falou dos esportes, como são competitivos. Mas skate não é muito. Não sei se vocês viram nas Olimpíadas que ficou uma menina torcendo pela outra. O skate é muito mais assim, ele é, ele tem mais essa, apesar de ser um esporte individual, ele é colaborativo, ninguém fica torcendo pro outro cair. É isso, até porque...

Naty:

Se cair, se machuca, né?

Lu:

Então tá todo mundo torcendo ali pra pessoa acertar e evoluir em ajudar o outro e incentivar o outro. Então é um esporte bem diferente nesse aspecto. E nessa linha de colaboração no esporte, eu lembro que quando eu jogava futebol, por exemplo, antes de começar a andar de skate, você estava sempre em disputa. Você briga mesmo, às vezes você bate no outro, faz uma falta ali, às vezes dentro de uma coisa mais normal. Às vezes dava briga mesmo. E desde que eu comecei a andar de skate, eu vi uma coisa muito diferente é muito mais agradável. Você está ali com um grupo de pessoas andando, um incentivando o outro. Você dá um toque, fala: "putz, está acontecendo isso, acho que você pode fazer isso aqui, e aí vai dar melhor". Ou então: "toma cuidado, porque isso aqui pode ser perigoso para você". Cara, teve um dia que eu estava prestes a me machucar muito sério, porque eu estava tentando uma coisa que estava me levando para o caminho ruim, amigo meu falou: "vamos parar, no outro dia você tenta". E é muito legal, muito diferente você estar em um ambiente competidor, de um ambiente de colaboração. Você se sente mais seguro, mais tranquilo, então acho que trazendo para o profissional, sou mais feliz dentro do ambiente de tecnologia, não especificamente de programação hoje, mas um ambiente onde é incentivado esse tipo de atitude. Eu me sinto melhor, lido melhor com as pessoas que estão trabalhando junto, muito diferente de outros mercados que eu trabalhei, por exemplo, o mercado financeiro que é muito mais competidor.

Chijo:

E eu acho que uma coisa que eu pensei enquanto você falava é que essa questão da competição é tão intrínseca de algumas coisas que vira quase uma estratégia de, por exemplo. Então, dentro do futebol existem faltas estratégicas que acontecem ali. Então quero tirar aquele jogador ali ou esse jogador eu vou perder. Ele vai ganhar uma falta, mas eu tiro aquele outro. Então umas coisas assim que é tão intrínseco da atividade ali que passa a fazer parte. Normalmente as pessoas discutem esse tipo de coisa, então isso também. Acho que no mercado de trabalho a gente tem essa visão, não sei como que está hoje em dia, mas enfim, eu, pelo menos tenho muita essa visão de que o mercado financeiro é um pouco mais agressivo, tem uma competição maior, a área de tecnologia é mais tranquila, então volta naquilo que a gente falou que talvez aquela era a única opção que tinha. Mas hoje em dia já não é mais.

Naty:

E aí a gente traz essas discussões sempre é bem importante. E isso gera um ambiente que é assim, contamina. Você vê que a gente tem problemas de torcidas organizadas. Quando essa competição é estimulada, isso aflora. Agora, imagina você trabalhando na organização, sei lá. 100 pessoas em que o ambiente, o clima organizacional é pesado porque você está ali, disputando com a pessoa, sei lá, um cargo, uma promoção e etc. Cara, isso é muito delicado, então em termos de mercado de trabalho, eu acho que a competitividade ela é genial, porque ela também te destaca de forma individual. Enquanto eu estou lá dando um suporte para o meu colega, eu, além de estar aprendendo, eu estou desenvolvendo ali uma liderança. Então é esse o grande. A grande sacada é porque muita gente acha, parte do pressuposto que a ideia da competitividade é você ser bonzinho, é você ser não, não é. É você ser um cara proativo, assertivo. E que você tem o espírito de acolhimento porque não tem aquela pessoa que um dia não vai precisar de ajuda, tá? Então é superimportante você entender que quanto mais você desenvolve a competitividade, mais você desenvolve uma rede de apoio segura até para você esclarecer as dúvidas, os seus desafios. Eu acho que é isso. Às vezes a gente pensa que porque eu estou aqui no meio do grupo, eu não estou me destacando, mas acho que é muito pelo contrário, porque se você está ajudando ou colaborando com todo mundo do grupo, as pessoas vão saber que você está colaborando, sabe?

Chijo:

Então, um exemplo meu mesmo. Então, há um tempo atrás, quando eu entrei na Labenu, eu era instrutora. A equipe de instrutores era menor do que é hoje. Hoje tem, sei lá, 50 pessoas. Na época, devia ter umas dez ali, sei lá. E eu ia pegando as tarefas pra fazer, organizando as coisas e tudo mais, porque eu achava naquele momento, que era uma coisa que precisava ser feita. E aí, com o tempo, as pessoas foram notando que eu fazia isso, foram me dando mais tarefas. Eu fui ajudando as pessoas e, eventualmente, quando a equipe estava precisando de uma pessoa para liderança, eu fui pra liderança junto com um colega meu, o João. Então eu não fiz isso pra virar líder da equipe, não estava na minha cabeça. Na época, eu tinha acabado de entrar na empresa, mas fazer um bom trabalho ali, colaborando com todo mundo, foi uma consequência disso, porque aí as pessoas gostavam de trabalhar comigo, me enxergavam ali de uma maneira positiva e acabou o que aconteceu. Não sei o que aconteceu antes.

Naty:

Olha, gente babado, fofoca. Os estudantes amam essa garota.

Chijo:

Oi, estudantes! Eu também amo vocês.

Naty:

Os feedbacks são os melhores.

Chijo:

E é isso. Até nessa questão da interação com os estudantes também eu vou lá e eu dá aula. Eu ajudo eles e eles gostam do jeito que eu ajudo e falam que eu sou uma boa professora. Isso vai alavancando ali, então é você dar o melhor que você pode dar naquele momento. Eu tenho muito essa filosofia de que eu não vou me arrepender das coisas que eu fiz, porque eu sei que naquele momento eu fiz o melhor que eu podia. Então é sempre dando o seu melhor e o que aconteceu e aconteceu. Você não pode dar mais que o seu melhor ali, então eu acho que é uma coisa que me deixa tranquila. Pensar desse jeito. Bom, então acho que a conclusão que a gente chega é que ser competitivo é uma coisa boa. Você quer ter essa, quer melhorar. Você quer sempre estar num nível legal comparado… Não, eu não quero falar de comparação. Não é isso que eu queria falar...

Naty:

Mas pode falar! Olha, é outra coisa que é importante de entender. Está tudo bem a gente se comparar, porque a gente também precisa ter até uma escala de quem a gente quer atingir, por exemplo. Eu não sei vocês, mas eu tenho, gente… Eu to mirando na Anitta, tá, gente. Tudo bem que está bem longe. Pode rir, Luciano, vai nessa, mas assim eu miro na Anitta, e penso assim: "Meu Deus, a carreira profissional dessa mulher é um foguete". E aí eu me comparo. Mas eu não me inferiorizo. Ela é uma admiração, inspiração, sabe? Esse é o legal. Claro que aquelas pessoas que têm síndrome do impostor e todos aqueles processos não faz isso. Não é legal. Você está entrando num buraco sem volta. Mas é bom a gente ter referenciais na nossa área. Por exemplo, quem você, você que está estudando programação, você sabe qual o tipo de profissional que você quer atingir? Quem são seus referenciais? Então, vá traçando as jornadas. Veja quais foram os percalços que ele fez. Às vezes, nesse processo, a gente pode encontrar muito mais afinidade do que de fato, uma distância daquelas pessoas que a gente admira. Então, se comparar de forma saudável, tá massa.

Chijo:

Então é uma coisa que é bem interessante, que a gente sempre fala sobre realmente ter referências. Então, como é importante a representatividade para você conseguir ter referências. Então, por exemplo, uma coisa que acontece muito na educação, que eu vejo é as pessoas se espelharem nos professores, muito, porque é a maior referência que você tem ali naquele momento de uma pessoa que sabe, é uma coisa que a gente vê muito comum, mas às vezes gera essa comparação negativa que nem você falou. Então eu estou lá na aula ensinando. Eu faço o código em cinco minutos, porque até eu já treinei fazer esse código antes da aula, inclusive. Mas os alunos ficam: "Eu acho que eu tenho que fazer também em cinco minutos e sem errar". E não é bem por aí. Então, o aprendizado de programação, ou de qualquer coisa, ele leva um tempo, então tem que ter um nível de realidade ali também que eu estou me comparando, porque eu quero chegar nesse lugar. Não significa que eu tenho que estar nesse lugar. E aí, até falando um pouquinho dessa parte de aprender programação, gente, vocês quiserem aprender a programação, vocês podem vir aqui para o curso da Labenu, a Naty falou que eu sou uma ótima professora. Vocês podem ter aula comigo.

Naty:

Maravilhosa.

Chijo:

Aqui na Labenu, a gente tem curso integral e noturno, com a formação de front end e back end. Então web full stack. A gente está com inscrições abertas sempre lá no nosso site. Entra lá para dar uma conferida: www.labenu.com.br

e lá tem todas as informações de turmas e quando do processo seletivo e tudo mais, então dá uma olhadinha lá. Então, voltando aqui pro assunto, pra gente fechar, realmente. Então, ser competitivo é bom. A gente quer ser competitivo para ter sempre as nossas habilidades, ir melhorando e chegar nessa referência as vezes que a gente quer e a gente dobra a meta. Acha outra referência e vai seguindo a vida assim. Mas a competição, a gente pode trocar pela colaboração, então tentar levar isso, acho que não só para o profissional, mas para esses outros ambientes da nossa vida, porque o nosso padrão é pensar em ser competitivo, porque a gente muitas vezes foi criado assim, mas talvez tentar ir trocando isso por esse mindset um pouco mais colaborativo, pode ser saudável para você, pra você se sentir mais feliz e para ajudar até na questão da competitividade também. Mas pode ser legal para as pessoas ao seu redor e para todo mundo trabalhar bem em conjunto ali.

Chijo:

Consegui resumir bem?

Naty:

Foi massa!

Chijo:

Então, por hoje é isso. Vocês têm mais algum recado para dar?

Naty:

Eu só queria agradecer esse encontro. Por favor, assista, curta, comente pra poder estar aqui na semana que vem.

Lu:

Gostei bastante da conversa, a participação da Naty foi bem legal ter ela aqui também.

Naty:

Obrigada, Lu, obrigada, Chijo.

Chijo:

Obrigada vocês também. Obrigada para você que assistiu, até a próxima. Gostou do episódio de hoje? Você pode seguir a gente lá no Instagram para interagir e conversar mais sobre o assunto: @labenu_

Naty:

Bem galera, também disponibiliza esse podcast lá no nosso blog. Acessa lá: www.labenu.com.br/blog

Lu:

Bom, por fim, você pode acompanhar todos os episódios do LabeCast no YouTube e no Spotify ou em todas as plataformas de áudio. A gente lança episódios novos, toda terça feira.

Chijo:

Se você gostou do episódio, já deixa seu like, comenta aqui com a gente o que você achou, e ativa o sininho para receber as notificações dos próximos episódios. Até mais.