Vou ficar rica se virar programadora? - LabeCast #01

Será que você vai ganhar muito dinheiro se virar uma pessoa programadora?

Essa dúvida é bastante frequente, e a gente sempre tenta trazer um pé no chão sobre a trajetória da pessoa programadora. A verdade é que o mercado de tecnologia está aquecido e tem muitas vagas interessantes, mas ainda existem poucas pessoas para preenchê-las.

Letícia Chijo e Luciano Naganawa falam sobre suas experiências com o mercado, estudos, cursos e médias salariais. Além de vantagens em trabalhar com tecnologia e perspectivas de carreira com visões reais para que você tire suas próprias conclusões se é possível enriquecer sendo uma pessoa desenvolvedora web full stack.

Letícia Chijo:

Oi! Eu sou a Letícia Chijo.

Luciano Naganawa:

E eu sou o Luciano Naganawa. E começa agora mais um episódio do LabeCast, o podcast oficial da Labenu.

[INTRO]

Chijo:

Oi, gente! Aqui é a Letícia. Tô aqui com o Luciano.

Lu:

Tudo bem, gente?

Chijo:

E hoje a gente vai responder a uma pergunta, que não foi uma pergunta que a gente recebeu. Mas é uma pergunta que em diversas formas, ela sempre aparece para gente ou até, enfim, na mídia, que é: "É verdade que eu vou ficar rica se eu virar programadora?"

Então, eu acho que o mercado da tecnologia está bastante aquecido e ele se tornou uma opção atraente para as pessoas. Só que, com isso, começam a surgir algumas lendas e algumas questões que a gente veio aqui para desmistificar um pouquinho.

Vou começar aqui, então, perguntando para o Luciano: eu vou ficar rica?

Lu:

Olha, pergunta difícil. Acho que uma coisa que eu já queria começar falando, que tem muitas oportunidades e você pode alcançar muitas coisas no mercado de tecnologia, incluindo um salário bem legal. Vou falar um pouquinho sobre algumas oportunidades que se destacam, mas tudo exige bastante dedicação, bastante estudo, bastante trabalho, é uma área muito exigente, do ponto de vista de preparação, de performance.

Mas, como a Chijo falou, está muito aquecida, tem muita oportunidade, tem mais vagas disponíveis do que pessoas qualificadas para cumprirem essas vagas. Então, todas as pessoas do mercado falam que está mais difícil encontrar pessoas para preencher as vagas. Então isso é uma tendência que de fato está acontecendo e acho que a ideia a gente conversar um pouco sobre a leitura disso, o que é verdade e o que não é.

Chijo:

Eu acho que é muito isso que o Luciano falou de dedicação mesmo.

Assim como em qualquer área que você entrar, elas têm boas oportunidades.

Se você realmente se dedicar, se você estudar bastante aquele assunto.

E o mercado de tecnologia, o que eu acho que é muito interessante sobre ele, é que você consegue vir de qualquer contexto, e estudar isso e se dá bem nisso.

Então, a gente vê muitas pessoas passando por transições de carreiras e vindos de lugares diversos e com demografia diversas, idades diversas, enfim, pessoas de todos os lugares e de todas as áreas que conseguem estudar e arranjar um emprego nessa área e crescer nessa área.

Então, eu acho que é uma profissão que acaba sendo bem justa nesse sentido de hoje, você consegue trabalhar remotamente na maioria das empresas.

Então a gente tem pessoas de vários lugares, mesmo aqui na Labenu, onde a gente trabalha.

Tem pessoas de diversos lugares do Brasil, com formações diversas que migraram para a programação e estão trabalhando hoje com a gente, pessoas que conseguem ter uma flexibilidade maior no horário, trabalhando de casa, então às vezes têm filhos, precisa levar a criança na escola, então, por ter um mercado grande, ele traz algumas facilidades e algumas flexibilidades ali, que são condições interessantes de trabalho.

Lu:

Legal! Chijo, Vamos falar de números, então?

Peguei aqui: Guia Salarial de 2022, super recente, da Robert Half Talent Solutions. E eu vou pegar, por exemplo, aqui tem bastante informação.

Mas vou pegar, por exemplo, Desenvolvedor Front End Júnior, a média do salário está, segundo esse estudo, R$ 6.200 . Desenvolvedor Front End Pleno: R$ 10.100 . Desenvolvedor Front End Sênior: R$ 15.000 .

E aí, Chijo, está rico quem está como Desenvolvedor Front End, em um desses cargos?

Chijo: 

Tem que economizar dinheiro, tem que investir para ficar rico. Não é só ganhar salário, né?

Mas antes de comentar isso, eu até acho interessante falar um pouquinho o que é um desenvolvedor front end.

Então, no desenvolvimento a gente tem as partes que a gente chama de front end e back end, e a pessoa que sabe essas duas habilidades a gente chama de desenvolvedor full stack.

Então, a parte de front end é a parte que é para fazer a parte mais visual do site, a parte que o usuário realmente interage, e o back end é mais a parte que vai ali guardar os dados daqueles site, fornecer informações para alimentar o site.

Então, de uma maneira breve, é mais ou menos essa a separação que vocês vão ver quando vocês estiverem procurando vagas em front end e back end.

Então, essa média de salário daqui do Brasil?

Lu:

É do Brasil, sim.

Chijo:

Em reais, eu acho até um pouco maior do que eu estava esperando.

E eu acho que varia muito de empresa para empresa do que você quer trabalhar.

Então, por exemplo, eu sempre trabalhei em empresas menores, em startups, e às vezes o salário é um pouco menor do que quando você trabalha em uma empresa gigantesca, que tem multinacional, várias coisas.

Acho que isso também varia bastante de acordo com o que a pessoa está procurando.

Mas é um salário bem interessante, uma média bem interessante, que a gente sabe que "média" é isso: tem valores acima e tem valores abaixo.

Lu:

Acho que o que é legal falar é que esse cargo de desenvolvedor front end júnior é um cargo de entrada.

Então, a pessoa que está ali buscando o primeiro emprego, eu acho que o meu entendimento, comparando com várias outras áreas, com a grande maioria das áreas aqui, principalmente na situação econômica atual, é um bom salário de entrada.

Aqui no 25º percentil, que seria uma parte mais abaixo da média, recebendo R$ 5.500, é o que você falou depende da empresa, provavelmente aqui é um salário líquido, tem descontos em cima disso, mas é um bom salário de entrada que dá uma perspectiva legal, principalmente para alguém que está vindo de um contexto de uma área diferente.

Fazer essa comparação, é um salário de entrada legal.

E os saltos de R$6.200 para R$10.100 e R$ 15.000, são saltos bem interessantes. Queria perguntar para Chijo, na sua leitura de mercado, quanto tempo demora para dar esse salto de júnior, para pleno, para sênior, que eu acho que ajuda no plano das pessoas de ficarem ricas.

Quanto tempo vai demorar para mudar esse cargo positivamente?

Chijo:

Isso eu acho que é uma questão muito interessante, porque tem mais ou menos algum bom senso.

Mas acho que cada empresa trata isso de uma forma um pouco diferente.

Em empresas que têm, por exemplo, um crescimento um pouco mais acelerado, às vezes a pessoa é promovida mais rapidamente, até porque ela teve que passar por muitas coisas, ela adquiriu bastante experiência naquele tempo que ela está ali.

Pensando aí um chute da minha cabeça, mais ou menos, eu diria que entre Júnior e Pleno, uns dois anos de experiência no mercado.

E quando eu falo experiência no mercado, realmente você está trabalhando, porque às vezes a gente fala eu estudei, eu estudo...

Eu, particularmente já estudo programação tem uns 13 anos, mas eu só trabalho com isso há uns cinco, e são experiências muito diferentes.

Você estar numa situação de mercado, com um produto que realmente está indo para um usuário e está acontecendo alguma coisa. É uma experiência muito diferente de uma experiência só de estudo. Então, quando a gente fala de experiência, eu acho que isso confunde às vezes as pessoas. Mas eu já estudo faz muito tempo. Eu fiz faculdade, não sei quê.

Mas quando a gente pensa em experiência para essas progressões de carreira júnior, pleno, sênior, tudo mais e mais, é pensando no tempo que a pessoa está de fato trabalhando.

E aí eu diria então que para ir para pleno uns dois anos de experiência, ir para senior, cinco anos de experiência, pelo menos naquela tecnologia específica.

Então também tem isso para o desenvolvimento front end. Então você tem que ter trabalhado esse tempo com isso. Não em geral, assim.

Lu:

Eu acho que é uma leitura parecida que eu tenho.

Então, uns dois anos para ir de júnior para pleno é uma média bem legal, bem ajustada com o que a gente viu no mercado, e depois mais três para  ir de pleno para sênior.

É uma progressão legal, gente, imagina que uma pessoa que não entrou, não estava no mercado, fez transição de carreira, consegue fazer essa mudança aguda de renda e de cargo. E cinco anos é uma perspectiva bem legal. Considerando que a situação de que as outras áreas estão vivendo é uma coisa bem positiva.

Uma coisa que eu vejo que é interessante, que tem muitas oportunidades e acaba que você pode tanto mudar de cargo de empresa, como mudar de tecnologia, dentro da carreira de tecnologia.

Acho que a grande maioria das pessoas que a gente vê ali no dia a dia, a não ser que seja uma pessoa muito dedicada a uma coisa só, elas acabam aprendendo coisas novas, mudando de área e mudando de empresa também, que é uma oportunidade que são criadas aí, porque todas estão caçando os melhores talentos aí.

E como eu falei, a grande maioria das vagas não está sendo preenchida, então tem a oportunidade de você entrar numa empresa, ver se você gostou ou não, vê uma outra oportunidade, talvez que é uma coisa que você queria mais, ou que você quer experimentar de diferente. Tem essas possibilidade de movimentação. É bem interessante nesse sentido.

Chijo:

E até complementando um pouco do que eu disse antes, no sentido de que você tem que ter trabalhado um certo tempo com aquelas frentes de trabalho.

Então, por exemplo, eu trabalhei a maior parte do tempo nessa área de front end, nessa parte que cuida mais da interface e do site e tudo mais, não significa que eu fiquei todos esses anos trabalhando com uma mesma ferramenta, uma mesma linguagem. Foram várias coisas diferentes então eu fiz aplicativos nativo para Android, IOS, depois migrei para uma tecnologia híbrida, React Native.

E depois fui para site, mas está tudo dentro do mesmo universo então o conhecimento que eu criei sobre criar essas interfaces é o mesmo. A ferramenta que a gente usa para fazer isso varia. Isso muda com o tempo. As tecnologias vão se atualizando e você vai se atualizando junto.

Então não é que você vai ter que para sempre ser a pessoa especialista de uma linguagem para virar sênior, não. Mas é você estar ali, naquele mesmo contexto de trabalho, criando essa experiência que você vai usar, independente de ferramentas, saber resolver os problemas da sua área de atuação.

Lu:

Legal, Chijo, vamos falar um pouco do nosso entendimento, das vantagens de estar no mercado de tecnologia. A Chijo falou um pouquinho, mas eu acho que, primeiro, a questão de você poder aprender e se capacitar. Alguns veem como vantagem, outros como desvantagem.

Por um lado, você tem a oportunidade de aprender coisas novas e tudo que é relacionado à tecnologia, pelo menos para mim, é muito interessante, porque é isso, né, você consegue entender como funciona um Instagram, você pode entender como funciona um site, um device, um jogo, você consegue entender melhor como tudo isso funciona, e aprender essas coisas é muito interessante. Você acompanha as tendências de tecnologia e o que está acontecendo e consegue entender como as coisas funcionam. Isso é muito legal para mim.

Por outro lado, algumas pessoas falam que esse mercado é um mercado que exige atualização constante. Você tem que estar aprendendo o framework mais novo, tem que aprender uma tecnologia, porque o seu time mudou de área e que vai precisar de aprender uma tecnologia nova ou porque surgiu alguma coisa nova que a empresa vai começar a usar e as pessoas que estão ali vão ter que entender como fazer isso.

Chijo:

Essa questão do aprendizado eu acho que é uma coisa interessante, porque, pelo menos pelas empresas que eu passei até hoje, eles dão esse espaço para você aprender. Não é uma coisa que: "ah, nossa, vou ter que sair e fazer mil cursos aqui por fora". Não.

Muitas vezes, no dia a dia você tem uma tarefa que você tem que resolver e aí você vai atrás de entender qual é a melhor tecnologia. Você tem um tempo ali para poder se atualizar também. Então isso do aprendizado eu acho que é um ponto bem interessante.

Fora isso, eu acho que é um mercado que está dando cada vez mais importância para a diversidade, né? Muitos anos atrás, quando eu estava entrando nesse mundo, era bem diferente. Os cursos que eu fazia muitas vezes eu era a única menina da sala.

E hoje a gente já vê uma situação bem mais diversa, e as empresas, pelo menos, demonstrando interesse em ter ali uma diversidade maior. A gente, enfim, não está dentro das empresas para saber de fato quais são as medidas que eles estão tomando. Mas pelo menos é um assunto que tem se falado muito mais hoje em dia. 

Essa questão de ser um trabalho atualmente mais remoto também. Com tudo o que aconteceu na pandemia, eu acho que muitas empresas, elas não voltaram totalmente nem sei se elas vão conseguir voltar totalmente a ser presenciais. O que eu também acho bem interessante, porque antes, por exemplo, eu morava super longe da empresa e pegava trem lotado, ônibus lotado para chegar. E é um cansaço a mais.

Lu:

Então, essa questão do remoto eu acho que também é algo bem interessante a se levar em consideração.

Um trabalho que você, principalmente, vai estar trabalhando com computador e editando código, conversando com as pessoas através de aplicativos de mensagem, como Slack, e de videochamada, como um Zoom.

É um trabalho que você, diferente do que as pessoas possam achar, você vai estar em contato com pessoas a todo momento, seja seus parceiros, seu techlead, as pessoas do produto, designers, é um mundo de gente, que depois a gente pode explicar melhor em um outro episódio como funciona isso. Mas você vai estar sempre em contato com pessoas. Não vai ser aquela coisa do programador lá na casa, vendo a Matrix passando sozinho ali.

Vai ser uma coisa onde hoje tem um dinamismo e uma colaboração muito interessante. Acho que dessa perspectiva é muito positivo. Tem até ferramentas de trabalho pareadas, que são pessoas, duas pessoas fazendo juntas uma coisa.

É uma metodologia super valorizada no mercado e aplicada mesmo, você vê as coisas, esses pareamentos acontecendo também no remoto.

Aproveitando, a gente está falando de remoto. Vamos falar um pouco sobre oportunidades fora do Brasil, porque se alguém está aí com o plano de ficar rico, talvez sair do Brasil pode ser uma alternativa.

Eu trouxe aqui um texto, que é um recorte de um texto aqui de um artigo da EXAME está escrito assim: "já pensou em trabalhar num cargo que pague R$120.000 ao mês", mais que dez vezes os valores que a gente falou, e aí continua, "pois esse emprego existe, só não está no Brasil".

Eles falam sobre algumas empresas, aquelas mais famosas dos Estados Unidos, principalmente, Google, Amazon, Facebook, que é Meta hoje. Essas empresas chegam a esses valores muito altos de salário.

Mas são oportunidades que estão fora do Brasil. Mas eu tenho percebido uma movimentação aí de pessoas aqui do Brasil saindo para trabalhar em empresas fora.

As pessoas que eu conheço não chegaram a esses salários, pelo menos não me contaram isso, mas começam a ganhar em dólar ou em euro e aí a conta fica melhor. E você acha que se for comparar com o que o pessoal está ganhando aqui, acho que estão se aproximando mais aí de se tornarem pessoas ricas.

Chijo:

Eu tenho alguns amigos também que estão indo trabalhar em empresas fora. E, é isso, eles não estão se mudando para os países.

Eles continuam por aqui trabalhando remotamente e tem bastante empresas que está buscando pessoas em outros lugares, um pouco por essa questão de diversidade e também de ter outras pessoas, outras vivências.

Um pouco porque talvez seja um pouco mais barato para contratar, também. Mas eu também nunca vi chegar nesses R$120.000. Eu achei bem sensacionalista e com certeza tem, é claro.

Mas uma coisa que eu sempre penso também é que isso não é muito estável. Porque, legal, hoje o dólar está R$5, mas eu não sei quanto tempo isso vai durar. Então, nesse momento pode ser uma coisa vantajosa, mas depois você está esperando que você vai ganhar isso para sempre.

E não é o caso, é uma coisa um pouco mais. Você tem que ter um preparo, um planejamento bom pra entender o que você vai fazer com esse dinheiro.

E voltando o que eu disse antes para ficar rico, você tem que planejar, você tem que investir. Não é só ganhar um monte de dinheiro. E aí tem questões também de impostos que você vai pagar. Tem outras questões, então não vai chegar a R$120.000 todo mês no seu banco para sempre.

Mas com certeza a gente consegue chegar em salários mais interessantes do que a gente encontra no Brasil hoje, por causa dessa questão do dólar e tudo mais.

Lu:

Eu acho que essa movimentação ter se tornado muito relevante recentemente, um pouco por essa valorização ou por essa aumento da intensidade do uso do trabalho remoto.

E aí você não precisa estar no mesmo país que a empresa que está contratando, mas é uma coisa que é permitida, porque a programação, de certa forma, ela é universal do ponto de vista que o mesmo código que você escreve para fazer um site rodar aqui no Brasil para uma empresa do Brasil, ele é escrito da mesma forma para rodar uma aplicação, um site no mundo inteiro. Então as empresas daqui e as empresas de fora usam as mesmas tecnologias.

Uma coisa que é importante para cá e para fora é que o inglês tem uma relevância bem legal tanto para você entender, ou entender um pouquinho melhor as próprias linguagens de programação.

Mas também para fazer pesquisa, para se comunicar com pessoas de fora, seja em comunidades open source, por exemplo, ou se você de fato estiver trabalhando numa empresa global, o inglês vai ser muito relevante.

Mas o trabalho em si, o código que muitas vezes você replica, ele é o mesmo. Não é, por exemplo, como um advogado que teria que aprender as leis da Inglaterra para ir trabalhar como advogado em outro país.

São as mesmas regras, são os mesmos códigos. Eu acho que a maior dificuldade que alguém pode encontrar para trabalhar fora, é claro, é o próprio idioma, para conversar com as pessoas e se comunicar.

Chijo:

Uma questão interessante que você trouxe é que programar também é muito sobre trabalhar com pessoas. Então, a gente passa a maior parte do tempo no ambiente de equipe, conversando com as pessoas, discutindo, e tem um pouco esse lado das diferenças culturais.

Então eu tenho um amigo também que estava trabalhando em uma outra empresa. Não lembro em que país que era. Mas ele falou que era muito diferente, assim, como as pessoas lidavam com as coisas no dia a dia.

Não que isso seja um impeditivo para nada, é claro. Você vai se adaptando, mas é uma coisa que a gente não pensa muito. A gente pensa muito mais na língua, nas ferramentas que a empresa está usando. Mas também vai ter ali, provavelmente, um choque cultural. No começo, alguma coisa assim. 

Lu:

A programação abre portas e oportunidades, tanto dentro quanto fora, para ter uma renda legal, conseguir trabalhar com tecnologias e produtos interessantes, poder fazer essa migração para trabalhar fora.

Tem algumas pessoas que estão trabalhando daqui para empresas de fora, mas eu tenho visto algumas movimentações de pessoas mudando, mesmo, porque querem morar fora, porque consideram que é uma qualidade de vida melhor ou porque é um sonho da pessoa.

Tem até empresas brasileiras abrindo escritório fora do Brasil para as pessoas daqui poderem morar fora, trabalhando em empresas do Brasil.

Esse é um movimento que foi muito inesperado para mim, mas que aconteceu em duas ou três empresas que eu conheço e foi bem surpreendente a explicação disso. Eu achava que eram escritórios para contratar pessoas de fora, porque as pessoas daqui não estavam dando conta de formar o time, mas ,na verdade, não, era também para que as pessoas daqui pudessem morar fora e trabalhar de fora para empresas daqui. Eu achei isso muito, muito curioso e inesperado. Mas são os perks, as vantagens, de trabalhar numa empresa de tecnologia, nos casos mais extremos chega a isso.

Chijo:

Nossa, não sabia disso. Também achei bem interessante. Estou esperando o escritório da Labenu na praia, pra gente ir para lá.

Lu:

Numa escala menor, a Labenu, hoje, apesar de ser uma empresa que não é só de tecnologia, a gente é educação, juntando tecnologia, nós temos pessoas programadoras aqui.

Mas é uma empresa que está bem distribuída aqui no Brasil. Então nós temos pessoas trabalhando em vários estados e isso permitiu que a gente atingisse mais pessoas, desse mais oportunidade para as pessoas tanto estudarem quanto trabalharem aqui na empresa.

Isso foi bem legal esse movimento.

Desde o começo, Labenu foi uma empresa remota. E é bem interessante como essas peculiaridades da tecnologia permitiram que coisas diferentes acontecessem. Eu não imaginaria, sei lá, há dez anos atrás trabalhando com tantas pessoas diferentes.

Chijo:

Acho isso bem interessante, para os alunos, os estudantes. Porque a gente teve, inclusive estudantes morando fora do país, que estavam fazendo curso, pessoas que às vezes nem falavam o português tão bem, não era a primeira língua da pessoa, e que conseguiram fazer o curso com a gente e seguir na carreira.

Então, isso aumenta bem o acesso às pessoas que têm a oportunidade de fazer esse tipo de curso, esse tipo de transição de carreira.

Lu:

Eu queria falar um pouquinho sobre como que é virar uma pessoa programadora, né? E acho que tem esse sonho, essa expectativa, "eu vou começar a estudar, vou entrar nesse mercado". Como falei ali, "vou sair já ganhando cinco, seis mil reais".

E até tem alguns movimentos, conversas recentemente no mercado aqui do Brasil, nas redes sociais, de como isso pode ser uma expectativa irreal.

Conta um pouquinho aí do que você tem observado aqui com os nossos estudantes, na sua própria experiência mesmo.

Chijo:

Bem, eu estou aqui na Labenu faz um tempo, então a gente já teve várias turmas formadas e dos estudantes trabalhando. E a gente ver que é possível, sabe?

Tem pessoas vindo de várias áreas que fazem o curso, conseguem emprego e logo começam a crescer na carreira e tudo mais. Então é possível, mas eu acho que a gente tem muito...

Eu mesma assim, eu vim de um ambiente muito acadêmico. Eu estudei programação formalmente por uns nove anos, antes de começar a trabalhar, porque, antigamente, eu acho que esse era o caminho que a gente tinha. Vai fazer a faculdade respeitadíssima para conseguir o emprego.

E hoje eu acho que por ter tantas vagas no mercado, não dá tempo de todo mundo fazer uma faculdade de cinco anos para entrar nessas vagas. Então foram surgindo alternativas e cursos mais rápidos.

E eu acho que muito do que eu gosto do meu trabalho, enquanto instrutora também na Labenu, é de pegar toda essa experiência que eu tive de tanto tempo estudando, pegar a parte importante e pegar o essencial para passar para as pessoas, porque eu não acho que ninguém precisa passar por tudo que eu passei para chegar onde eu cheguei, sabe? A gente consegue fazer essa experiência ser bem mais agradável e bem mais curta. Se a gente focar naquilo que realmente é importante, né?

Quem já fez qualquer curso de qualquer coisa, você sabe que às vezes dá uma enrolada, fica ali muito tempo falando de uma coisa que você nunca vai usar na sua vida e algumas coisas que são muito específicas às vezes.

E pra uma pessoa que está entrando no mercado, como júnior, ela não necessariamente precisa saber das suas especificidades, nesse primeiro momento. É óbvio que, ao longo da carreira, ela vai precisar aprender um pouco mais de teorias e de segurança. Enfim, outras coisas importantes.

Mas para ingressar no mercado, você precisa de algumas informações que eu acho que fazendo um curso um pouco mais curto e com bastante prática, isso eu acho que é o mais importante.

Não vai ser assistir aos vídeos ali e falar: "agora eu sei tudo". Que nem: "vou tocar violão, vou cinco horas assistindo a um cara tocando violão, e vou aprender".

Lu:

Ou ouvindo um CD, né?

Ouvindo um CD 10 vezes, e aprendeu a tocar violão.

Chijo:

Se for vinil, então, eu vou aprender a tocar muito. Não!

Tem que praticar muito.

Então eu acho que qualquer curso que fala: "você só vai ler os materiais, assistir umas aulas e vai aprender".

Aí, eu acho que é furada, tem que ter uma parte bem de prática ali mesmo, porque programação a gente aprende na prática. Mas eu acho que é muito, muito possível a gente ter uma experiência mais curta para você já entrar no mercado.

Porque até uma coisa que eu acho muito interessante é que a gente pensa: "eu vou aprender um monte de coisa e vou começar a trabalhar, e é isso".

Mas não.

Quando você começa a trabalhar, é onde você mais vai aprender, então, aprendizado vai continuar por muitos anos. Não foi só no seu curso de seis meses ali que você acabou, sabe?

Então, esse é o comecinho, é o primeiro passo.

Lu:

Eu acho que a aceitação do mercado, talvez não por puro entendimento, mas talvez por necessidade, é que você, sim, você pode fazer um curso mais curto, um bootcamp, estudar por conta própria, tem tido uma aceitação bem maior. Como você falou, você, de fato, não precisa necessariamente fazer um curso superior.

É diferente, por exemplo, de um curso de medicina ou de advocacia que você precisa até passar numa prova e tal pra poder exercer a profissão. Já foi quase assim no mercado de tecnologia, mas hoje teve uma abertura.

Eu acho que muito por necessidade do tipo não tem pessoas se formando e muito menos na velocidade do que a gente precisa.

Ao mesmo tempo.

É um mercado que é um pessoal chato, um pessoal exigente, que gosta de fazer um teste técnico ali e colocar uma pegadinha, gosta de sentir que conhece muito das coisas, e isso transparece muito nos processos seletivos, eu acho.

Então, apesar de terem muitas vagas, ter muita gente querendo entrar, muitos cursos, e tal.

O processo de você conseguir o primeiro emprego é difícil porque as pessoas têm um nível de exigência bem grande. Que dá pra entender, né?

Você está trazendo uma pessoa pro time que vai lidar com o produto, com tecnologia, às vezes com coisas de segurança. Você não quer trazer uma pessoa despreparada.

Mas tem um nível de exigência bem interessante, tanto do conhecimento quanto da performance no processo de seleção.

De fato, eu acho que exige muito preparo nessas duas coisas. Você tem que de fato saber programar. E como Chijo falou, o melhor jeito é ter experiência até para você mostrar. "Eu já fiz esse projeto, ó".

Muitos processos seletivos são assim. 

Me mostra que você sabe programar, não fala que você sabe, me mostra. Ou na hora ou apresentando um portfólio, alguma coisa assim.

Além disso, você tem que se dar bem no processo de seleção, que é mais fácil se você domina os conhecimentos, a técnica, mas tem algumas coisas relacionadas à comunicação ou relação pessoal que têm que ser desenvolvidas pra entrar no mercado, devido a esse rigor dos processos de seleção.

Já vimos que não vai necessariamente se tornar uma pessoa rica, programando de uma hora para a outra, e até virar uma pessoa programadora, não é tão simples.

Na verdade, acho que exige bastante dedicação, estudo, exige seriedade para lidar com as coisas é um tema muito interessante.

É uma área de muita oportunidade, mas que exige esse investimento, essa dedicação.

Chijo:

Eu acho que muitos dos nossos alunos relatam que existe uma dificuldade mesmo para conseguir a primeira vaga na área.

Mas acontece até algo engraçado, às vezes, que eles falam que depois que conseguiu o primeiro emprego e teve alguns meses de experiência, outras oportunidades começam a surgir.

Porque é isso. Você teve experiência, você praticou numa situação real.

Você fez um aplicativo, um site de verdade e trabalhou com a equipe. Então é uma comprovação ali, entre aspas, de que você consegue fazer aquilo.

Então, às vezes, na primeira vaga, você não tem experiencia. Tem até esses memes de: "vaga de júnior pedindo dez anos de experiência". Esse tipo de coisa. Mas você não tem essa experiência.

Então, um jeito de você mostrar é justamente isso que Luciano comentou, ter um bom portfólio, com as coisas que você fez, com tudo que você praticou, fazer um trabalho voluntário pra alguma ONG, alguma coisa do tipo, pro primo que quer um site, e você realmente achar formas de praticar e de mostrar o que você sabe. Porque se você está na entrevista para a empresa e você mostra: "olha, eu fiz isso e usei essa tecnologia que vocês usam".

"Eu fiz desse jeito". Isso já traz mais segurança, e aumenta as chances de você conseguir uma boa vaga.

Lu:

Eu acho que todo esse aspecto de mostrar de verdade o que se sabe fazer é muito relevante.

Você falou, a segunda, terceira vaga, parece um tanto, no nosso trabalho de colocar as pessoas no mercado, parece ser mais fácil. E talvez nossa leitura mais informal do mercado também parece ser mais tranquilo.

Acho que um efeito do tipo se alguém falou que essa pessoa pode programar, eu acho que fico mais seguro que se eu achar à primeira vista que essa pessoa vai se dar bem, o que de fato pode acontecer um risco menor. E acho que as pessoas vão muito por esse caminho também.

Queria falar um pouco de perspectivas do mercado pra frente, então tem um levantamento aí que até 2024, 420.000 vagas, 420.000 novas pessoas programadores vão ser necessárias no mercado, aqui no Brasil.

Isso é um número que a Labenu tem acompanhado faz um tempo e tem uma perspectiva de crescimento do mercado, de transformação digital, de empresas de tecnologia crescendo, que, mesmo com pandemia, a crise econômica, se manteve num nível bem interessante.

A gente, eventualmente, os mercados aquecem e esfriam.

Mas a gente vê que a relevância do mercado de tecnologia no mundo já se consolidou há muito tempo no Brasil.

Na minha leitura, está ficando, está amadurecendo agora, então tem muito espaço para oportunidades, transformação, crescimento das empresas de tecnologia.

Essa leitura de que uma pessoa aqui do Brasil pode trabalhar de igual com uma pessoa de fora.

O que as coisas desenvolvidas aqui podem ser aproveitadas fora, eu acho que é muito importante para isso dar mais relevância no mercado de tecnologia para o mercado brasileiro, que até pouco tempo atrás era muito nichado.

Normalmente as soluções aqui para dentro não tinham tantas empresas globais que saíam daqui e nem presença tão ativa de equipe de desenvolvimento das empresas globais aqui.

Eu acho que isso está se transformando e é muito, muito positivo para quem está no mercado, seja para as novas oportunidades que vão surgir, de novas vagas, novas pessoas que vão poder entrar, quanto das que já estão de crescimento, de aprender coisas novas, de conseguir conquistar coisas interessantes cá.

Chijo:

Eu acho que essa questão de perspectiva de crescimento é muito a gente olhar o nosso dia a dia, o tanto de coisas que você interage, que exigiu que alguém programasse aquilo.

É praticamente tudo. Até seu microondas, sua geladeira são superinteligentes, esses dias. Tem alguns eletrodomésticos, enfim, Alexa, tudo. Tudo teve algum programador por trás.

O filmezinho que você está vendo no Netflix à noite teve muita coisa para chegar ali até você para sugerir aquele filme que você achou ali e gostou, baseado no que você assiste normalmente. Até coisas pequenas, assim.

Por exemplo, se você está atrás de comprar alguma coisa, você vai pesquisar na internet.

Se a loja não tem um site, não tem uma presença on line, é bem mais improvável que você tenha contato com isso, que essa loja realmente cresça bastante. Então a tecnologia está aí, e, realmente, eu vejo sempre essa tendência, a cada vez mais todo mundo convergir para isso.

As lojas que não têm um site, eventualmente, elas vão sentir a necessidade de pedir para o priminho fazer um sites e para eles, esse tipo de coisa.

Então, tem bastante espaço ali para crescimento. Tem várias áreas de atuação.

A gente às vezes fala "o site", mas tem muitas coisas que envolvem a tecnologia, desde a construção de um computador, de um equipamento, até como isso chega ali para o seu usuário final.

Tem muitas áreas dentro da tecnologia que sempre vai ter vagas para pessoas que têm interesse em, enfim, estudar bastante sobre aquilo e se atualizar e tudo mais.

Então, eu acho que é um mercado que é bem interessante nesse sentido.

Lu:

E acho que as transformações das coisas para o digital, principalmente na pandemia, foram bem aceleradas.

Então, acho que a última coisa que eu pensava que eu ia usar um aplicativo para fazer é pedir comida ou para comer. Vou comer. Eu vou pensar em um aplicativo. A primeira coisa que eu faço hoje é abrir um aplicativo pra pedir alguma coisa.

Então, desde mobilidade, comunicação, entretenimento está indo muito isso. A gente está indo pra Netflix, para jogos.

Tudo está indo muito para o digital, com mais e mais intensidade, e a gente está substituindo as coisas que a gente fazia por coisas em plataformas digitais.

Isso exige que alguém faça isso, alguém tem que programar. Foi o que a Chijo falou, tudo que você faz hoje alguém teve que programar, teve que trabalhar nisso.

Então acho que essa é a perspectiva para o mercado brasileiro, acompanhando o mercado mundial, que ainda vai se acelerando.

E isso é muito bom pra quem está dentro desse mercado, seja pelas oportunidades de trabalhar com produtos diferentes, conhecer coisas novas, quanto de fato ter uma renda e ter uma carreira de sucesso.

Chijo:

E se depois disso tudo que a gente falou, você decidiu: "Não, então agora eu acho que eu quero programar, fez sentido".

A gente falou bastante aí ao longo do caminho da Labenu, que é um curso de programação. A formação é Web Full Stack, você aprende de front end e back end.

O curso pode ter duração de seis meses no modelo integral, e de um ano no modelo noturno, que é só meio período.

E nele a gente tem essa possibilidade de você só pagar pelo curso quando você tiver empregado e com uma renda maior do que R$3.000, que a gente viu por aqui, é algo possível.

Então eu acho que esse é um ponto que a gente queria trazer de que você pode conseguir uma renda legal ali no seu primeiro emprego, se você tiver o estudo, necessário se dedicar para essa vaga.

Então, se você tiver interesse em conhecer um pouquinho mais sobre a Labenu, você pode entrar no nosso site: www.labenu.com.br

Para ver mais informações sobre o nosso curso, sobre as nossas turmas.

E pode também seguir a gente aí nas redes sociais, no Instagram: @labenu_

Para interagir com a gente e tirar as dúvidas que você tem aí sobre essa vida de programador e sobre cursos, sobre qualquer coisa. A gente sempre abre caixinhas por lá.

Lu:

Acho que o legal do curso é que ele, como a Chijo falou, ele foca muito nessa prática.

Então, tudo o que você precisa aprender para conseguir seu primeiro emprego a gente vai te oferecer, tanto do ponto de vista de conteúdo quanto de prática.

A gente vai te apoiar na colocação profissional de entrar no mercado. Então você vai estar bem suportado aí pra conseguir esse primeiro emprego e começar o seu caminho para se tornar uma pessoa rica através da programação.

Chijo:

E você pode ter aulas comigo, olha, que legal! Mas por hoje acho que é isso, gente, muito obrigada por ouvir a gente.

E até a próxima!

Lu:

Até mais, gente, muito obrigado!

[VINHETA]

Chijo:

Gostou do episódio de hoje?

Você pode interagir com a gente lá pelo Instagram: @labenu_

Para discutirmos mais sobre o assunto de hoje.

Lu:

Também disponibilizamos a transcrição desse episódio com todas as referências, informações que a gente trouxe lá no blog da Labenu, entra no nosso site: www.labenu.com.br

Chijo:

Por fim, você pode acompanhar os episódios aí, os próximos episódios do LabeCast, todas as terças-feiras no YouTube, no Spotify, ou em qualquer outra plataforma de áudio.

Até a próxima.

Referências citadas no episódio

Pesquisa salarial citada no episódio - https://www.roberthalf.com.br/guia-salarial/details/desenvolvedor-front-end-junior/brazil